Seguidores

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O CENTENÁRIO DE WALFREDO PAULINO DE SIQUEIRA



Para os familiares de Walfredo Paulino de Siqueira

É com imensa saudade desse homem que foi para meu saudoso pai, Antônio Piancó Sobrinho, inicialmente um patrão, e, com o passar dos anos, seu maior amigo, seu ídolo, seu sócio, a quem ele seguiu políticamente até o dia em que ele deixou de existir entre nós. Mesmo depois de morto, o nome de Walfredo Siqueira continua, para nós descendentes de Antônio Piancó, decantado com muito orgulho e com muita gratidão.

Hoje, recebo das mãos de seus filhos, Zita e Carlos, o convite que foram levar em Itapetim para a nossa família  assistir a comemoração do centenário do seu nascimento, o que muito nos honra.

Quero agradecer aos filhos de seu Walfredo, por eles não terem esquecido que durante décadas a fio os nomes de Walfredo e Toinho jamais puderam se dissociar, porque suas vidas foram unidas pelo trabalho, pela bravura, pelo respeito e pelo mesmo sentimento de servir ao povo da terra em que nasceram.
Meu pai sempre dizia, humildemente, tudo que sou, tudo que tenho e tudo que venha a ter, eu devo a um homem chamado Walfredo Siqueira, que me acolheu em suas empresas, quando fiquei orfão de pai aos 15 anos de idade, ele foi para mim o pai que inesperadamente perdi.

"Enquanto vida eu tiver, seguirei o caminho que seu Walfredo indicar, porque aprendi que a maior qualidade do ser humano é saber ser grato àqueles que nos estendem a mão nas horas mais difíceis da nossa vida. E foi isso que ele fêz por mim"

E complementava, para estender esse sentimento de gratidão a todos os seus filhos:
"Vocês rezem para seu Walfredo não ir para o partido do "cão", porque nós teremos que ir atrás"

E a sua profecia se cumpriu, todos os seus filhos, ainda hoje, guardam as lembranças desse grande homem, que viveu entre nós de maneira tão presente no sso cotidiano, que às vezes confundo o seu nome com o do meu próprio pai.

Obrigada, Seu Walfredo, tenho certeza de que Deus, na sua infinita bondade, permitiu o  reencontro com o seu grande amigo, Antônio Piancó, e no dia 21 de maio estarão assistindo juntos as comemorações pelo seu centenário.

Lusa Piancó Vilar, em nome dos filhos de Antônio Piancó Sobrinho.


Depoimento de Walfrêdo, concedido a Leila Gebrin
 Jornal de Brasília - Maio de 1973






"Eu sou um homem da região do Pajeú – dizia ele – no Sertão de Pernambuco. Comecei a trabalhar muito cedo, com a idade de 11 anos. Na época de minha infância, havia dificuldade para estudar, de maneira que só consegui fazer o Curso Primário.

Nasci em São José do Egito, onde passei toda a minha vida. Ainda muito jovem, com apenas 17 anos, ingressei no serviço público, como secretário da Prefeitura local. Nessa condição, já em 1930, participei do movimento revolucionário, incorporando-me às Forças Paraibanas que invadiam o Estado de Pernambuco.

Em 1936, senti que não tinha vocação para a vida burocrática e mudei para o comércio. Nessa época, era proprietário de um armazém de ferragens. Já em 1939, passei para o comércio e a industrialização do algodão, atividade que exerço até hoje, aliada à criação de gado.

Política, propriamente dita, só (comecei a fazer) a partir de 1945, com a redemocratização do País. Fui convocado pelo então interventor, Agamenon Magalhães, que me incumbiu da organização do PSD no município.

Participei da campanha do presidente Dutra e, mais tarde, da do governador Barbosa Lima Sobrinho e de todas mais que se realizaram no Estado, daquela época para cá.
Além do cargo de prefeito do município, que exerci por duas vezes, fui eleito por três vezes para a Assembléia Legislativa do Estado, onde tive a oportunidade de presidir a Comissão de Finanças e ser presidente da própria Assembléia por dois mandatos.

Nunca gostei de política, mas nunca deixei de ser político. O convite para a Assembléia teve muita importância. Mas o que pesou muita nesta decisão foi a gratidão que devia a um amigo (Pe. João Leite? José Borja?) a quem não poderia faltar. Fora ele o veículo de minha aproximação com o então interventor de Pernambuco, Agamenon Magalhães. Nesse período de quase 30 anos tenho tido muitas vitórias e muitas alegrias, entremeadas por decepções e contratempos, naturais na vida política de qualquer pessoa.

Voltando à época da Presidência da Assembléia, numa mesma ocasião fui cumulativamente presidente da Casa e vice-governador, condição na qual assumi o Governo do Estado várias vezes” (foram 17).
Depois do terceiro mandato, tomei a iniciativa de me substituir, tive a sorte de eleger dois genros, um para a Câmara Federal, o deputado Josias Leite, e outro para a Assembléia Legislativa, deputado Francisco Perazzo, ambos reeleitos no último pleito.

Voltei às raízes e continuo nas atividades tradicionais, considerando-me um homem realizado, tanto na parte política, quanto na empresarial e familiar, especialmente porque estou terminando a grande batalha de encaminhar os 11 filhos na vida.
Sobre a minha terra, posso dizer que se trata de região de gente destemida e inteligente, destacando-se como a capital nordestina dos violeiros e cantadores. Foi uma cidade de vida muito agitada, sob o aspecto político, especialmente a fase de 1908 a 1913. Nessa época houve a luta pela direção política local, entre as famílias Santana e Dantas.

Depois dessa fase, em conseqüência do rigor e da luta, veio uma calmaria, só voltando (o município) a
apresentar maior interesse político após a Revolução de 30.
Apesar de encravada no Alto Sertão de Pernambuco, nunca sofremos diretamente as conseqüências do bando de Lampião. Indiretamente, sofríamos muito. Na minha região nasceu o célebre bandoleiro Antonio Silvino, que no seu tempo foi o maior cangaceiro da região nordestina, convindo salientar que, tanto Antonio quanto Lampião tornaram-se bandoleiros para vingar o assassinato de pessoas de sua família. No caso de Silvino, ele tentou vingar, mas não conseguiu matar os assassinos do pai. Depois que saiu da prisão, tornou-se um revoltado e morreu de velhice. Fim um pouco inglório para um dos maiores cangaceiros do Nordeste.

O nordestino é homem brasileiro que apresenta maiores qualidades de resistência. Aceita as inclemências da natureza, luta contra elas e jamais desanima. Hoje, com as facilidades do transporte e com o progresso de outras regiões do País, especialmente do Centro-Sul, o nordestino emigra com maior facilidade. Mas, jamais deixa de voltar para o seu torrão periodicamente, ou de dar assistência financeira aos seus familiares que ficaram no Nordeste.

O relacionamento familiar é uma constante do nordestino, bem como exercer a disciplina e a tradição de respeito à família.

Meu temperamento é otimista, dificilmente me aparece um motivo que me esmoreça a disposição.
Entretanto, a vida com alegria, aceito-a como ela vem. Não sou muito de protestar, nem de me conformar com as dificuldades a acidentes ( o fatalismo de quem perdeu a mãe aos 7 anos e aos 11 já saía de casa cedinho para trabalhar?). Meu prazer é o bem-estar de minha família. É minha única preocupação e, se tudo esta bem com ela, vejo como minha maior alegria.

Na minha região, detenho a amizade e o respeito quase unânimes da população; por isso mesmo, nas chamadas médias ou modestas, compreendendo aí violeiros, repentistas, vaqueiros etc., sempre desfrutei de um certo convívio, que termina se traduzindo em confiança mútua.

Tenho, neste ano de 1973, exatos 62 anos de vida e acho que a juventude dos dias atuais tem um grande triunfo nas mãos, decorrente do progresso, do desenvolvimento, da tecnologia, das facilidades de instrução.

Mas, é necessário, quase indispensável, que essa juventude se aperceba mais desse privilégio e compreenda a responsabilidade que a ela está sendo atribuída.


Walfredo Paulino de Siqueira."
(Pinçado de "O Algodão e o Sonho" de Ivanildo Sampaio - Perfil Parlamentar do Século XX)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

ESQUECERAM DAS RAÍZES DO NOSSO CORAÇÃO!


Suely (Filha de Antônio André) e Bernadete Piancó (São Vicente, 1947)

Bernadete (beta) é a minha irmã mais velha, ela nasceu em 1947, no antigo povoado de São Vicente, pertencente a então Vila das Umburanas, hoje minha cidade natal, Itapetim, no estado de Pernambuco.
Walfredo Paulino de Siqueira e Dona Maria eram seus padrinhos de Batismo, e Suely, a filha de Seu Antônio André, foi sua madrinha de apresentação.
Bernadete nasceu na época em que o ouro branco (algodão) era culltivado em larga escala no meu município. Meu pais, Antônio e Rita, casaram e foram morar  naquele povoado, onde meu pai trabalhou nos armazéns de compra de algodão, mamona, agave e outras culturas, pertencente a Walfredo Paulino de Siqueira, um comerciante de São José do Egito, do qual veio, posteriormente, a ser sócio durante 40 anos.
Eu sou a segunda filha desse casal, já nascida em Itapetim, pois meus pais vieram morar nessa cidade, no ano de 1948.

A primeira "semente" que brotou daquele casal, a qual eles deram o nome de Bernadete, nasceu  no solo de São Vicente, dando início a uma família de seis mulheres e um homem.
Minha irmã mai velha, nasceu na época em que São Vicente era apenas um arruado de poucas casas, e de muitos homens trabalhadores, os quais viviam da agricultura, vendendo sua produção à firma W.Siqueira & Piancó.
Meu pai, Antônio Piancó, um homem afeito a grandes amizades, apesar de ter vindo fixar residência na sede do município, continuou ligado àquelas pessoas, por laços, não só de amizade, mas comerciais e políticos.
Desde a mais ternra idade convivi com famílias inteiras de São Vicente, na minha casa a presença delas era uma constante. Habituei-me a ouvir nomes que, ainda hoje, trago bem vivos na minha mente e no meu coração, porque do meu pai recebi a herança de abraçar meus conterrâneos como se fôssemos uma grande Família.
Entre tantos outros, esses eram os nomes que ecoavam na minha casa nos tempos da minha infância e juventude: Agostinho Pereira de Vasconcelos, Oliveiros Ferreira de Albuquerque, Adolfo Gomes Meira, Ananias Nunes, Manoel Avelino, João de Lidinho, Inácio de Altino, e outros.

Há um outro nome que fincou em São Vicente a bandeira do trabalho, da honra e da dignidade, apesar de não ser filho natural. Walfredo Paulino de Siqueira, um baluarte, o maior chefe político da Região do Pajeú, viveu em São Vicente, juntamente com meu pai, Antônio Piancó, trocando dinheiro por mercadoria, na lógica do respeito ao suor do homem do campo: Plantou, colheu, vendeu. Todos tinham renda necessária ao sustento da sua família.
Aquele povo de São Vicente, nas épocas de grandes estiagens, ao perder sua colheita, não morria de fome porque esses homens financiavam a entressafra. Há quem veja sob a ótica da exploração, porque eles eram, além de comerciantes, políticos daquela região. Se assim viam naquela época, hoje ficariam estarrrecidos se presenciassem o tipo de exploração atualmente instalada.

Hoje, o povo de São Vicente pouco produz, vive esperando que o prefeito de Itapetim mendigue nas portas do Estado alguma ação que lhes sirva para o desenvolvimento, como é o caso da pavimentação da Rodovia do Repente, a PE- 263.
Uma ação realizada pelo empenho do prefeito, louvável, diga-se de passagem. A luta pela pavimentação dessa estrada  vem desde os tempos em que eu ainda era menina, lá na minha terra. E Adelmo Moura conseguiu, na 1ª gestão do nosso Governador Eduardo Campos.

Infelizmente, o prefeito desluziu este ato de bravura, a conquista da pavimentação dessa estrada - que, apesar de não ter viabilidade econômica, do ponto de vista social oferece a São Vicente os benefícios da segurança e rapidez no tráfego para deslocamento dos seus moradores - quando construiu uma pequena praça no centro daquele distrito e, por desconhecimento da história do seu povo, deu o nome àquele logradouro público de "Zé Careca".

A inauguração daquela praça ocorrida ontem, dia 5 de abril - dia em que se comemora o aniversário da morte do Padreiro São Vicente, daquele distrito de mesmo nome - enodoou essa data, tão significativa para os católicos.
Para esta festa de inauguração o convidado especial do Prefeito Adelmo Moura, foi  Ex Ministro da Casa Civil, no Governo Luís Inácio da Silva, que teve seu mandato cassado em razão de uma CPI no Senado Federal, que o apontou como sendo o chefe da quadrilha que assaltou os cofres públicos da nação brasileira. Neste dia da inauguração, enquanto o Ex Ministro se deslocava para o meu município, a  Revista Época pubilcava uma matéria noticiando a conclusão do inquério da Polícia Federal sobre o esquema de corrupção denominado o "Mensalão", tendo sido, novamente, o seu Zé Dirceu apontado como o mentor daquele esquema montado no país.
Ligada na Rádio Pedras Soltas, pude acompanhar a entrevista coletiva que o Sr.Zé Dirceu concedeu a imprensa de Pernambuco. O assunto principal da visita de José Dirceu a Itapetim era referente ao período da ditadura - segundo o Jornal do Comércio, na matéria que publicou no dia seguinte - O Zé Careca ficou relevado a segundo plano, mesmo sendo o principal homenageado, cujo nome iria ficar para sempre gravado na praça principal.
Somente ao chegar no Sítio Baixio, onde Zé Careca passou um tempo foragido, é que um morador daquele distrito conhecido como Inaldo Alves de Siqueira, deu a biografia que Zé Careca imprimiu em São Vicente:

- "Ele era uma pessoa muito simples, muito inteligente e se dava bem com todo mundo."

- "Ele adorava jogar bilhar, pagava cachaça para quem não podia e gostava de andar de jumento. Aliás, de 15 em 15 dias ele fazia um churrasco de jumento no sítio, recorda José Hildo Pereira.

E deve ter sido por esses extraordinário serviço, prestado à comunidade de São Vicente, que o Prefeito Adelmo o escolheu. Fica uma pergunta que não quer calar:

Como pode um município -  que sempre teve um passado de glória, representado na memória viva, na memória dos que não morrem, porque ao passar por este mundo deixaram um rastro de realizações, favores, préstimos e, sobretudo, de honradez - batizar uma praça com o nome de alguém que não teve participação alguma na sua história?
Como pode trocar por Zé Careca, o nome Walfredo Paulino de Siqueira, que tanto trabalhou pelo engrandecimento do nosso município e da nossa região?
Compare o que publicaram sobre Walfredo, no dia do seu falecimento, com o depoimento de alguns filhos de São Vicente sobre Zé Careca: 


"Foi com profundo pesar e um imenso sentimento de perda, portanto, que o governador Moura Cavalcanti decretou luto oficial por três dias pela morte de Walfrêdo, determinando que, no seu sepultamento, em São José do Egito, ele recebesse as honras de chefe de Estado, já que assumira o Governo por 17 vezes, no impedimento do titular.
A cidade viveu um dia triste. Delegações e representantes dos municípios vizinhos, especialmente de Itapetim, Brejinho, Santa Terezinha, Imaculada, Tabira e Tuparetama foram render homenagem ao velho chefe político, responsável por inúmeras obras municipais ali realizadas, compreendendo escolas, postos de saúde, postos telefônicos, cadeias públicas etc.
Violeiros e cantadores que Walfrêdo tanto apreciava improvisaram na viola a saga do homem que, sem ter concluído o curso primário, chegou tão longe na vida pública, deixando gravada na memória do povo sua lenda e seu exemplo.A ARENA, partido que então integrava e que abrigava as antigas lideranças do PSD, prestou-lhe homenagem póstuma no II Encontro Regional, realizado em Garanhuns, nos dias 11 e 12 de janeiro de 1976.


Padrinho de batismo de centenas de afilhados, muitos deles, já homens feitos e prósperos na vida, estiveram presentes na última homenagem, exaltando-lhe a grandeza humana com que marcou sua vida na terra."


 (Pinçado de "O Algodão e o Sonho" de Ivanildo Sampaio") 


Em nome dos cidadãos da minha terra natal, em nome de Bernadete, minha irmã, sua afilhada de Batismo, eu quero pedir desculpas pelo o ultraje cometido à sua memória, pela passividade  do povo que o conheceu, pela ignorância da juventude que não chegou a conhecer a sua história, pelo prefeito que, embora conheça, preferiu escolher a figura inexpressiva de Zé Careca, como bode expiatório para uma consolidação de amizade com o réu, Zé Dirceu,  acusado pela Polícia Federal de ser o mentor do Mensalão.
Segundo eu soube, o prefeito contratou um bufet na Cidade de Afogados da Ingazeira, para receber o homem do mensalão com todas as pompas, oferecendo-lhe um jantar, que não tinha nada a ver com o menu do homenageado (Zé Careca), churrasco de jumento.


Hoje ao ler o Jornal do comércio, um grande jornal de pernambuco, eu tive a certeza absoluta de que aquele evento de inauguração da praça não passou de um pretexto para uma aproximação do prefeito com o réu do esquema do mensalão, haja vista não aparecer na reportagem uma foto sequer da praça inaugurada, nem do povo de São Vicente que estava presente.


Então eu me pergunto: Por que cargas d'água Zé Dirceu escolheu o nosso município para uma entrevista coletiva aos jornais e blogueiros do estado? Ele foi considerado pelo Jornal do Comércio como a grande estrela do evento, em asim sendo, teria sido mais prático entrevistá-lo aqui na capital, já que não se deram ao trabalho de se reportar ao evento em si, chegando ao cúmulo de não postaram nenhuma fotografia da praça inaugurada, nem tampouco do povo alí presente.

Só São Vicente, Padroeiro daquel distrito, poderá vir em nosso socorro, no sentido de preservarmos a história do nosso povo:



"Oh! Glorioso traumartugo São Vicente, eleito por Deus para avivar a fé nas almas, lenvantar até o céu os votos da esperança e inflamar nos corações o divino fogo da caridade! Já que com tanta fidelidade desde a terna infância cooperastes com a graça do Altíssimo, por cujo amor tantas almas convertestes e edificastes, sendo honra insigne do clero e do estado religioso, vos suplicamos nos alcanceis da Divina Majestade uma grande pureza de intenção, contínua vitória contra as tentações, grande afeição às coisas santas e um constante pensamento de que Deus está presente a  todas as minhas ações, para que, imitando-vos em vida, logre bendizer a Deus em vossa companhia na glória. Amém."
São Vicente Ferrer (pinçado do orkut de Bernardo Garapa)

Hino a São Vicente


Eu peço desculpas, também, a Maciel Melo, filho de seu Heleno de Louro, um cidadão de São Vicente, que, ao ver o filho partir para São Paulo em busca de realização artística, o aconselhou:
" Meu filho, nunca baixe a cabeça pra ninguém"


E eu espero do fundo do meu coração que esse grande poeta, que tanto nos orgulha pelo seu talento, jamais esqueça do pedido que lhe fizera seu velho pai, na hora em que se viu obrigado a deixar a sua casa em busca de realização.


Maciel inicia essa canção relebrando a música de Agnaldo Timóteo:

"Se algum dia a minha terra eu voltar, quero encontrar as memas coisas que deixei ..."

Não, não vai encontrar, Maciel. Você vai encontrar um tal de Zé Careca em praça pública, ao invés de encontrar, o nome de um cidadão da terra, como o de seu pai, por exemplo, emprestado àquele logradouro.
Teria sido uma festa memorável, nós estaríamos todos presentes para prestigiar o evento que consagraria a memória do seu honrado velho, passando para a posteridade uma história decente. 

Iríamos, com certeza, ouvir na sua bela voz: " Aí eu chorava com saudade dele, mamãe guardava pra ele, um sorriso, um beijo, uma flor ...



E o seu apelo: "Sou um caboclo sonhador, viu, não queira mudar meu verso ..."
Mas mudaram, Maciel,  nosso "verso" foi mudado, desde a hora em que o prefeito imiscuiu na história do nosso povo um elemento estranho às nossas raízes. Que pena!


Outro dia recebi de presente do meu amigo e conterrâneo, Bernardo Ferreira, este vídeo que muito me emocionou pela grandeza da letra de sua música.
Obrigada, meu amigo, é um presente maravilhoso, para nós filhos ausentes. Hoje é uma data memorável para todos nós que nascemos neste município. É memorável, porque nunca vamos esquecer que em São Vicente uma praça recebeu o nome de um tal Zé Careca, ultrajando a memória daqueles que fizeram a história de nossa terra. Estamos prestes a comemomorar, o centenário de Walfredo Paulino de Siqueira, o maior líder político da Região do Pajeú.
Ele foi um dos responsáveis pela dinâmica da economia agropecuária do distrito de São Vicente, por décadas a fio e, entre outros ilustres homens nascidos naquele distrito, também foi preterido para dar lugar ao nome de um forasteiro, terrorista que, pelo simples fato de ter se escondido naquela caatinga, hoje tem seu nome gravado com letras de sangue,  na placa daquela praça. Santo Deus!
Inconscientemente o povo corre atrás do novo e perde o endereço!

segunda-feira, 14 de março de 2011

LÁ VEM O TREM


E foi assim que o "Trem da Vida" me trouxe mais um ilustre passageiro para para me contar de que forma ele  fêz parte da minha história de vida, nos tempos do meu saudoso pai, Antônio Piancó.



Grato pela atenção dispensada e a forma elegante como me recebeu na sua página. Isso é igual a se receber na própria casa. Se bem, a gente retorna. E por isso retornarei outras vezes aquí. Já salvei nos meus favoritos. Deus vos abencõe...
Bonito resgate in memória você elaborou de sua família. Visitar, ver a foto do seu pai, a máquina do tempo engatou uma marcha à ré a minha infância. E recordei-me do meu primeiro B-A-BA no grupo escolar do Mocambo que ele construiu, quando prefeito do Município.
Visitar sua página, me levou aos anos 70 vendendo goiabas na fábrica do seu pai. Você não tem fotos da fábrica? Quando visito a cidade, subo no portão e dou uma olhadinha! Não resisto! Bom gosto da escolha da música de abertura do seu Blog, tudo haver!
ALGODÃO, FIBRAS DO SISAL, GOIABAS. De tudo produzi um pouco, e seu pai me comprava todo produção. A Fábrica foi um grande marco precursor para o desenvolvimento de nossa cidade. TINHA A INDÚSTRIA E O COMERCIO COMO SEU FOCO PRINCIPAL.
(Usina da cultura) - A senhora tem nas mãos uma chave importantíssima para enriquecer os turistas que visitam nossa cidade nas juninas. "A chave que abre as portas da antiga Fábrica Dandão para visitação naqueles dias".
Não se trata apenas de uma antiga fábrica fechada. (Que muito colaborou com o progresso da nossa cidade). Aquilo é muito mais, aquilo tem história e muito valor cultural para a nossa memória . Já pensou na idéia?

Dias depois recebi este belo poema em homenagem a velha Fábica de Doces Dandão. que no passado pertenceu ao meu saudoso pai Antônio Piancó.


 


FIBRA, OURO BRANCO E DOCE MEL
 (Poema dedicado a essa , hoje, usina de cultura)

Três chaminés no meu sertão
Fumegavam sem parar
Sua fumaça solta pelo ar
Perdeu-se na imensidão
Era a Fábrica de Doce Dandão
Que a goiaba processava
E a polpa exportava
Para a Cidade de Pesqueira
Que fazia doce de primeira
Com a polpa que comprava

Antônio Piancó Sobrinho
Comandava a organização
Que na goiaba e algodão
Traçava os caminhos
Administrava com carinho
Fazia prosperar, crescer e empregar
Eram muitos funcionários
Que defendiam seus salários
Para as famílias sustentar

O carro de boi carregado
Conduzia riqueza no sertão
Sisal, goiabas e algodão
Faziam parte desse cenário
E Aquele empresário
Cheio do entendimento
Tinha no foco o crescimento
Da Itapetim que sonhava
Traçava planos, imaginava
A cidade em movimento
Hoje em vulto a solidão
Nas páginas da memória
Que contam a história
De bonança no Sertão
Na entrada do teu portão
O ferrolho já enguiçou
De tão velho enferrujou
E a caldeira não esquenta mais
Deixa saudades pra trás
De um passado que marcou...

Amiraldo Patriota - 16-09-2009
Descobri que Amiraldo tinha uma página no site da Rádio Sol de Itapetim. Passei a ser freqüentadora assídua, e por lá encontrei diversas homenagens aos filhos da terra, reconhecimento de feitos dos grandes homens que fizeram a história da nossa terra. Artigos importantes, de incentivo, de sugestões e de críticas no sentido de colaborar, como cidadão nascido naquelas terras.
Não sou de plágio, mas é melhor prevenir do que remediar, porque às vezes informações que nos dizem respeito estão na Internet e desaparecem - seja por motivos técnicos ou por vontade deliberada de quem pode apagar o que não lhe convém - em detrimento dos que apoiam a divulgação daquela matéria.

Se tivesse guardado a Página de Amiraldo nos meus arquivos pessoais, hoje, poderia enfatizá-los nesta postagem.
Um dos vários poemas deste poeta que mais me emociona é o que fala sobre a casa onde nasceu, talvez pela semelhança que ela guarda com o tipo de construção da casa da minha Avó Conceição, no Sítio Maniçobas, onde meu pai nasceu:

Sítio Mocambo- Casa onde nasceu Amiraldo Patriota

TRÊS DÉCADAS DE SAUDADES

Casinha pequenina
Paredes, portas e janelas
Minha mãe lá dentro dela
Três meninos e uma menina
Lá fora, a lua que ilumina
As noites escuras no terreiro
Lá dentro, a luz do candeeiro
Acendia o pavio no querosene
Iluminando aqueles quatro pequenos
Dormindo nas redes, junto ao celeiro.

Pastorávamos cabras e ovelhas
Criávamos cabeças de gado
Comíamos o leite coalhado
Adoçado com mel de abelhas
Um gato miava, na telha
O cachorro latia com medo e correndo
Do trovão, quando estava chovendo
Enquanto a família dormia
E acordávamos no canto da sinfonia
Dos pássaros, vendo o dia amanhecendo.

Caminhávamos para a roça
Com as borboletas nos guiando
E o orvalho caia molhando
Alagando a terra nossa
Uma junta de boi puxava a carroça
Pra em seguida, puxar o cultivador
Arando as terras do meu avô
Naquele Sertão Pernambucano
Passam-se anos e anos
E ficam as lembranças do que se passou.

Amiraldo Patriota
Retroagindo aos primórdios da Maniçobas, transformou em versos o seu encantamento e a sua emoção em fazer parte dessa viagem. Reportou-se ao velho tronco "Serafim e Joaquina Maria - meus bisavós - e chegou aos meus netinhos, ponta de rama das minhas origens.



O TREM DA VIDA
(Em cada vagão, uma história)


Lá vem O TREM DA VIDA
Carregando em seus vagões
Relíquias e gerações
Pelas estradas percorridas
De uma família nascida
E crescida num berço só
Pajeú e arredor
Continuando em Itapetim
Começando por Serafim
As RAÍZES dos Piancó.

No trem, Maria Joaquina e Serafim
Vem da estação Casa Grande
De onde a família se expande
Da Maniçobas para Itapetim
Tornou-se grande assim
Construíram aqui seus ninhos
Antonio Piancó Sobrinho
Heli, entre outros parentes
Multiplicando a semente
Até SEUS NETINHOS.

Cada vagão traz uma história
Da trajetória de seis gerações
De um passado de recordações
Acervo de tempos de outrora
E vai resgatando a memória
Pelos caminhos, o trem vai passando
E a cada estação, estacionando
E carregado de novos arquivos
Dos que partiram e dos que estão vivos
Você vai lendo e se emocionando.

Amiraldo Patriota.  
A emoção de receber os amigos neste "Trem da Vida" é indescritível. Aprender a pensar é muito importante, mas aprender a "sentir", aprender a alegrar-se pela conquista de amizades, é o que dá sentido as nossas vidas. E o tempo que dispensamos para cultivá-las jamais será perdido, porque amigos são irmãos que não precisam de laços sanguineos para se respeitarem. Amigos são como diz Fernando Brand em sua canção: "Amigo é coisa pra se guardar, do lado esquerdo do peito, junto do coração ..."


E é exatamente onde eu o guardo, poeta, para nunca perdê-lo. Muito obrigada pela sua amizade, por fazer essa "viagem" conosco, pelos poemas dedicados, pelos comentários expressivos às minhas postagens, pelos laços que nos unem, originários do meu passado. 

sábado, 12 de março de 2011

TOTA: UM AMIGO QUE VIROU SAUDADE

Roberto Carlos - Jesus Salvador




Era um sábado de carnaval, dia 05 de março de 2011. Estávamos em Natal, no Rio Grande do Norte. Ao acordar, antes de seguir para as piscinas do hotel eu acessei o Blog VenezaPedraSoltas e no mural de racados encontrei a seguinte mensagem escrita por Jarbas Patriota Malta (Filho de seu Nezinho Malta (in memoriam):
Lamento e peço pêsames à família de Sebastião Rogério da Silva (Tota), com quem tive a oportunidade de conviver por muitos anos, quando ele ajudava no comércio que meu pai tinha aí em Itapetim. Essa família sempre esteve presente nas nossas vidas(minha e de meu pai), pois sua mãe (Quitéria), já ajudava minha avó (Cupertina) a criar meu pai e meus tios Zé Malta e Pedro Malta, os quais foram criados quase que no mesmo teto. Lá se vai mais um pedaço da história de Itapetim. Que Deus conforte a família.
De fato, " Lá se vai mais um pedaço da história de Itapetim", pensei comigo mesma.
E no mesmo mural gravei também a minha mensagem:

Fico triste em saber do falecimento do meu amigo Tota. Desde criança, na Loja de seu Nezinho Malta, a figura de Tota era uma simpatia que nos dava prazer de freqüentar aquele estabelecimento. Agora o seu desaparecimento deixa em nossos corações uma eterna saudade dos nossos grandes amigos de família: Seu Nezinho e Tota que fazem parte para sempre dos nossos arquivos de memória de conterrâneos tão queridos! Minha solidariedade à família enlutada.
Eu não sabia que o nome de Tota era Sebastião Rogério. Mas agora eu não preciso mais saber, porque foi "Tota" quem me viu criança, adolescente, mãe e avó. Era em "Tota" que Quiterinha (sua mãe) falava com tanto amor no coração. Seus filhos são: Geni de Tota; Gilton de Tota, Gisélia de Tota, Pucunina de Tota e, sua esposa, Gilda de de Tota.
A lembrança que vou guardar para sempre no meu coração tem um nome amigo, humano, cordial e simples: TOTA. Simples como ele sempre foi, simples e importante como a própria canção de Roberto Carlos nos fala:

 " Piedade para aqueles que pensam que a felicidade é a riqueza e o poder, ser feliz na verdade é ter Jesus dentro do coração".

Ter gozado da sua amizade foi um grande privilégio, e continuará a ser através da sua família, cujo sentimento você soube repassar. Hoje sou madrinha de batismo da sua neta Elizângela, filha de Gilton e Neci, estreitando sobremaneira os nossos laços de amizade.
A todos da família, minha solidariedade e a certeza de que TOTA não se tira do coração, ele virou saudade!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

NO NORDESTE É DIFERENTE, É ASSIM QUE A GENTE FALA

Ismael Gaião - Condado/PE - Brasil - 49 anos


Gente, o que encontrei postado no Recanto das Letras, de autoria desse poeta, vocês nem imaginam!

 Esse poeta maravilhoso, pede, com humildade, que os blogueiros se dignem a dar os devidos crédito às suas obras litteárias. Concordo plenamente. É ridículo apoderar-se do que não lhe pertence, ou não mencionar o autor, conferido-lhe os devidos créditos.

O que encontrei por lá, confesso, dá vontade de copiar tudo, porque tudo nos deixa excitados pela beleza com que ele escreve. Repasso para vocês " è Assim que gente fala",  acessem o "Recanto das Letras" e leiam tudo desse poeta extraordinário.

Ismael é de Condado, mas nossas raízes têm tronco em Portugal e tentáculos por todo Brasil, especialmente no Nordeste onde a litteratura de cordel é coroada.

É ASSIM QUE A GENTE FALA 

"No Brasil pra se expressar
Há diferenciação
Porque cada região
Tem seu jeito de falar
O Nordeste é excelente
Tem um jeito diferente
Que a outro não se iguala
Alguém chato é Abusado
Se quebrou, Tá Enguiçado
É assim que a gente fala

Uma ferida é Pereba
Homem alto é Galalau
Ou então é Varapau
E coisa ruim é Peba
Cisco no olho é Argueiro
O sovina é Pirangueiro
Enguiçar é Dar o Prego
Fofoca aqui é Fuxico
Desistir, Pedir Penico
Lugar longe é Caxaprego

Ladainha é Lengalenga
E um estouro é Pipoco
Qualquer botão é Pitoco
E confusão é Arenga
Fantasma é Alma Penada
Uma conversa fiada
Por aqui é Leriado
Palavrão é Nome Feio
Agonia é Aperreio
E metido é Amostrado

O nosso palavreado
Não se pode ignorar
Pois ele é peculiar
É bonito, é Arretado
E é nosso dialeto
Sendo assim, está correto
Dizer que esperma é Gala
É feio pra muita gente
Mas não é incoerente
É assim que a gente fala

Você pode estranhar
Mas ele não tem defeito
Aqui bala é Confeito
Rir de alguém é Mangar
Mexer em algo é Bulir
Paquerar é Se Inxirir
E correr é Dar Carreira
Qualquer coisa torta é Troncha
Marca de pancada é Roncha
E a caxumba é Papeira

Longe é o Fim do Mundo
E garganta aqui é Goela
Veja que a língua é bela
E nessa língua eu vou fundo
Tentar muito é Pelejar
Apertar é Acochar
Homem rico é Estribado
Se for muito parecido
Diz-se Cagado e Cuspido
E uma fofoca é Babado

Desconfiado é Cabreiro
Travessura é Presepada
Uma cuspida é Goipada
Frente de casa é Terreiro
Dar volta é Arrudiar
Confessar, Desembuchar
Quem trai alguém, Apunhala
Distraído é Aluado
Quem está mal, Tá Lascado
É assim que a gente fala

Aqui valer é Vogar
E quem não paga é Xexeiro
Quem dá furo é Fuleiro
E parir é Descansar
Um rastro é Pisunhada
A buchuda é Amojada
E pão-duro é Amarrado
Verme no bucho é Lombriga
Com raiva Tá Com a Bixiga
E com medo é Acuado

Tocar em algo é Triscar
O último é Derradeiro
E para trocar dinheiro
Nós falamos Destrocar
Tudo que é bom é Massa
O Policial é Praça
Pessoa esperta é Danada
Vitamina dá Sustança
A barriga aqui é Pança
E porrada é Cipoada

Alguém sortudo é Cagado
Capotagem é Cangapé
O mendigo é Esmolé
Quem tem pressa é Avexado
A sandália é Percata
Uma correia, Arriata
Sem ter filho é Gala Rala
O cascudo é Cocorote
E o folgado é Folote
É assim que a gente fala

Perdeu a cor é Bufento
Se alguém dá liberdade
Pra entrar na intimidade
Dizemos Dar Cabimento
Varrer aqui é Barrer
Se a calcinha aparecer
Mostra a Polpa da Bunda
Mulher feia é Canhão
Neco é pra negação
Nas costas, é na Cacunda

Palhaçada é Marmota
Tá doido é Tá Variando
Mas a gente conversando
Fala assim e nem nota
Cabra chato é Cabuloso
Insistente é Pegajoso
Remédio aqui é Meisinha
Chateado é Emburrado
E quando tá Invocado
Dizemos Tá Com a Murrinha

Não concordo, é Pois Sim
Tô às ordens é Pois Não
Beco ao lado é Oitão
A corrente é Trancilim
Ou Volta, sem o pingente
Uma surpresa é, Oxente!,
Quem abre o olho Arregala
Vou Chegando, é pra sair
Torcer o pé, Desmintir
É assim que a gente fala

A cachaça é Meropéia
Tá triste é Acabrunhado
O bobo é Apombalhado
Sem qualidade é Borréia
A árvore é Pé de Pau
Caprichar é Dar o Grau
Mercado é Venda ou Bodega
Quem olha tá Espiando
Ou então, Tá Curiando
E quem namora Chumbrega

Coceira na pele é Xanha
E molho de carne é Graxa
Uma pelada é um Racha
Onde se perde ou se ganha
Defecar se chama Obrar
Ou simplesmente Cagar
Sem juízo é Abilolado
Ou tem o Miolo Mole
Sanfona também é Fole
E com raiva é Infezado

Estilingue é Balieira
Uma prostituta é Quenga
Cabra medroso é Molenga
Um baba ovo é Chaleira
Opinar é Dar Pitaco
Axilas é Suvaco
E cabra ruim é Mala
Atrás da nuca é Cangote
Adolescente é Frangote
É assim que a gente fala

Lugar longe aqui é Brenha
Conversa besta, Arisia
Venha, ande, é Avia
Fofoca é também Resenha
O dado aqui é Bozó
Um grande amor é Xodó
Demorar muito é Custar
De pernas tortas é Zambeta
Morre, Bate a Caçuleta
Ficar cheirando é Fungar

A clavícula aqui é Pá
Um mal-estar é Gastura
Um vento bom é Frescura
Ali, se diz, Acolá
Um sujeito inteligente
Muito feio ou valente
É o Cão Chupando Manga
Um companheiro é Pareia
Depende é Aí Vareia
Tic nervoso é Munganga

Colar prova é Filar
Brigar é Sair no Braço
Nosso lombo é Ispinhaço
Faltar aula é Gazear
Quem fala alto ou grita
Pra gente aqui é Gasguita
Quem faz pacote, Embala
Enrugado é Ingilhado
Com dor no corpo, Ingembrado
É assim que a gente fala

Um afago é Alisado
Um monte de gente é Ruma
Pra perguntar como, é Cuma
E bicho gordo é Cevado
A calça curta é Coronha
Um cabra leso é Pamonha
E manha aqui é Pantim
Coisa velha é Cacareco
O copo aqui é Caneco
E coisa pouca é Tiquim

Mulher desqualificada
Chamamos de Lambisgóia
Tudo que sobra, é Bóia
E muita gente é Cambada
O nariz aqui é Venta
A polenta é Quarenta
Mandar correr é Acunha
Ter um azar é Quizila
A bola de gude é Bila
Sofrer de amor, Roer Unha

Aprendi desde pivete
Que homem franzino é Xôxo
Quem é medroso é um Frouxo
E comprimido é Cachete
Sujeira em olho é Remela
Quem não tem dente é Banguela
Quem fala muito e não cala
Aqui se chama Matraca
Cheiro de suor, Inhaca
É assim que a gente fala

Pra dizer ponto final
A gente só diz: E Priu
Pra chamar é Dando Siu
Sem falar, Fica de Mal
Separar é Apartá
Desviar é Ataiá
E pra desmentir é Nego
Quem está desnorteado
Aqui se diz Ariado
E complicado é Nó Cego
Coisa fácil é Fichinha

Dose de cana é Lapada
Empurrão é Dá Peitada
E o banheiro é Casinha
Tudo pequeno é Cotoco
Vigi! Quer dizer, por pouco
Desde o tempo da senzala
Nessa terra nordestina
Seu menino, essa menina!
É assim que a gente fala.”
NÃO DEIXE DE VISITAR: "Recanto das Letras"

Poste também o seu comentário, diga a esse grande poeta o que você achou do que leu por lá.
Eu já disse, confira.

sábado, 22 de janeiro de 2011

O QUE O VENTO ME TROUXE



Achei que criar raízes seria só no chão

Mas descobri que se criam raízes no coração.

E que de tão frondosa a árvore plantada

Não há nada que a faça ir ao chão.

Mesmo que a árvore tenha erva daninha

Não tenho mais como a ver derrubada.

Aqui brotou, cresceu e floresceu

E nunca mais se desprendeu.

E o amor que aqui foi plantado

Com flores e frutos desabrochou.

É tão forte e lindo que se enraizou

E para sempre comigo ficou.

Achei que criar raízes seria só no chão

Mas descobri que se criam raízes

Também no coração.


(Jorge Luiz Vargas)
 
 
Gaúcha, nos pampas nascida.
 Um grande sonho acalentei
 Morar numa ilha encantada
 Cheia de bruxas e fadas.
 Nessa terra cheia de graça
 Onde se juntam todas as raças,
Minha ilha lança ao poente
 O azul espelhado da lagoa,
O verde silêncio das montanhas,
O rumorejar de um mar azul
 Que beija apaixonado a areia da
 Minha ilha de renda poética.
Não importa se há sol ou chuva,
 A mágica ilha é sempre azul,
Fica gravada na alma e
Quem aqui vem sempre vai voltar,
Para descobrir novos caminhos,
 Novos destinos, pois
Esta magia nunca irá acabar.
 
 
 
"TUDO QUE CHEGA, CHEGA SEMPRE POR ALGUMA RAZÃO" (Fernando Pessoa).
 
Descobri UM VENTO NA ILHA por acaso, mas não será mais por acaso que voltarei todas as vezes que o vento soprar , pois o que ele me traz é pura beleza e emoção. Não deixe de conferir, quero compartilhar com você todas as maravilhas que vi por lá. Beijos fraternos.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

HOJE É O ANIVERSÁRIO DE CARLINDA!


Amar a Natureza é uma das mais belas formas de amar a Deus. Quem ama a Deus, sobre todas as coisas, ama ao próximo como a si mesmo. A Natureza é vida, e o que é a vida senão a própria manifestação de Deus? Deus também se manifesta através dos nossos sentimentos, aqueles que guardamos no fundo dos nossos corações. E não é o coração o orgão a quem atribuimos ser a Casa de Deus?
Quando cometemos insensatez, desatinos e qualquer espécie de mesquinhez, logo, ouvimos dizer que a causa é falta de Deus no coração.
Mas Deus é misericordioso, basta-nos o arrependimento sincero do que lhe causou desapontamento que Ele volta à nossa morada.

Mas por que estou abordando esse assunto que, à primeira vista, nada tem a ver com o motivo desta postagem de hoje?
É porque ontem, dia 3, dia do aniversário da minha filha Karla, eu li uma postagem no Blog de Paulo Patriota, cujo título era "A LUZ DO CORPO SÃO OS OLHOS", e lá está escrito:
"... Enfim, devemos a uma amiga transcendental (talvez ela não saiba o volume de sua importância no nosso ciclo atual da mansidão) toda reorientação íntima de hoje que nos anima, ela, que ensinou-nos a consultar o coração sempre, porque ele é a ressonância da entidade unificadora que nos habita. Amiga que é um perfume jamais votalizado, cujo aroma nunca dissipar-se-á do seu jardim humano. Ela, a que nomeamos amiga maternal porque é mãe, e só as mães amam incondicionalmente sem renúncia." 
Minutos depois recebi um e-mail de Paulo com a seguinte mensagem:
"Lusa, prima querida, só depois de postar minha croniqueta de hoje vim até aqui. Foi dedicada à Você, viu? E olha como terminei: "E só as mães amam incondicionalmente com renúncia".
Bendito o ventre que fez desabrochar as jóias do teu escrínio materno.
Um terno beijo."
Motivada por essa dedicatória do nosso amigo Paulo, eu não encontraria nada mais apropriado para homenagear a nossa amiga Carlinda, neste dia do seu aniversário, senão a transcrição (que guardei no meu coração) do que Paulo escreveu para ela em um comentário à postagem que fiz "CORRE MEL EM PLENO RIACHO SALGADO", numa alusão ao Sítio em que ela nasceu.

E encorajada por essa mensagem que li no mural do VenezaPedraSoltas (Blog de Naide) sobre a postagem PARABÉNS, CARLINDA NUNES, FELIZ ANIVERSÁRIO! :
"Parabéns, Carlinda, poetisa das Pedras Soltas, feliz aniversário! Homenagem mais que merecida, justíssima,encaixada à tua magnificência humana. Congratulo a ti também, Naide, pelo régio preito cujo desfecho emociona e a imagem, idem. Beijos a ambas.
Paulo Patriota"
Em agradecimento ao meu amigo Paulo, por atribuir-me uma parcela de contribuição para a sua atual reorientação íntima, estimulando-o a pensar com o coração, é que republico o seu comentário feito por ocasião do lançamento do Blog de Carlinda  CORRE MEL EM PLENO RIACHO SALGADO! , e dessa feita ficará gravado para sempre, porque no coração não existe a tecla "delete" para o bem que fazemos aos nossos irmãos.


 Eis  o que Paulo escreveu com o coração, sobre Carlinda,  que nunca  pude deletar:
"Não sei nem como começar...

Lusa é a poetisa da prosa escrita; Carlinda fez com que suas décimas (hosanas ritmadas), que as sei de cor um punhado, se transformassem na sinfonia de um disacúsico.

O estilo é o ser. Então, na mais mínima oração, a alma se revela em tríplice harmonia, santíssima trindade espiritual que escalona o degrau que dá ao portal do Paraíso almático que se revela em poucas linhas ou falas.
Já a intitulei de Majestade do Pajeú, mas achei pouco; então a defini assim: Sua Excelência, a Sertanejidade.
Todas as minhas croniquetas relativas ao Sertão foram inspiradas nela - e continuarão sendo.
Quando a filha de Dona Alzira conversa, desce sobre todos seu véu interior, como uma brilhante núncia de um flor de mandacarú.
Daqui por diante, mais omisso eu seria no meu narrar - e mais confuso ficaria do que balbuciar de infante - em tentar defini-la,posto que ela, sendo um ente singular, é plural.
Conheci-a em 1986 e tenho tudo o que então ela me presenteou, sendo ela um pedaço de mamãe, pois foram amigas de infância e são contemporâneas.
Carlinda, rouxinol que canta o princípio, o meio e o fim,desculpai o que te pude ferir.
Faze do meu erro brumoso uma rubra lua do perdão, porque em mim invade velha saudade de ti.
Obrigado, Lusa, teu RAÍZES congrega para que redoure-mo-nos em força, em graça, em vida, em luz.

Beijos para ambas.

Quando Carlinda me convidou para um passeio histórico e sentimental até à Fazenda São Pedro, fiz questão de prová-la que sei inúmeras décimas da mesma, dizendo, em tom de embolada, uma quando subíamos a ladeira da Serrinha:

"Cachoeira dos Vicentes
Da cana do doce fino
Na seca ou nas enxentes
Teu solo é quase divino
Vizinha da Boa Vista

Lá de Seu Pedro Batista
E do Caramucuqui
Do Recanto e da Serrinha
Onde o cantar da rolinha
É diferente daqui..."

Uma vez,quando faltou energia (mamãe já estava doente),no mês junino,estávamos ela,Pai Zezo,Dona Hilda,Titia Vila,Titia Graça,Bamba e Olavo lá na calçada de Vovó e eu disse,no tom exato,estas três da Majestade:

"Sou filha de Itapetim
Cidade das Pedras Soltas
Que dos Sertões é jardim
O lirismo cai em gotas
Envolvendo a típica aragem
E dando vida à paisagem
Daquele árido rincão
Onde a torre imponente
Da igreja ali presente
Se faz ornamentação!"

"Saudade de Itapetim
Do cheiro do marmeleiro
Das vassouras de alecrim
Das flores do cajueiro
No inverno é um jardim
Na seca é um tabuleiro
Que não nasce nem capim
Mas é um grande celeiro
De cactos,pedras,enfim
Que ornamentam o Cruzeiro!"

"Saudade lá dos sítios
Das castanhas de cajú
Das bolachas das Emídios
Das cocadas do umbú
Dos causos,contos e piadas
Do som daquelas risadas
Na casa de Dona Juva
Dos bolinhos de Teodora
Da casa de mãe agora
Até do cheiro da chuva..."

Pai Zezo atento; Titia Vila, emotiva por demais, muito pregada às raízes, com os olhos rasos d'água."

3 de dezembro de 2010 17:27


A expressão de Carlinda, ao contemplar a natureza, parece contemplar a própria Essência de Deus : O amor. Se fomos criados para amar, e atender aos apelos do nosso coração, é o que estou fazendo agora, estou devolvendo para Carlinda, como presente de aniversário,  o amor que Paulo extravasou no que acabo de trancrever.

4 Vozes - Essência de Deus



O mundo há de passar e toda profecia
Os dons, as línguas e tudo mais que existir
Porém como aquele que foi
Hoje é e pra sempre há de ser
O amor é a essência de Deus
E pra sempre também vai viver

Bondoso e sem rancor, fiel e consciente
Humilde e sofredor, espera tão somente
Justo e verdadeiro, tudo suporta e tudo crê
Tão puro e perfeito é o amor
Não busca interesse ou favor
Mistério, expressão, vida e luz do Senhor

Se eu pudesse saber destinos ou futuros
Fazer mover as montanhas com minha fé
Se eu pudesse falar qualquer língua
Em qualquer lugar
E desse os meus bens ao mais pobre
Ou morresse em favor de alguém

Se não tivesse amor, de nada valeria
Se não tivesse amor, proveito algum teria
Fria e sem razão a vida, então, passaria
Vazio seria o falar
Um sino que insiste a tocar
Se dentro de mim não valesse o amor



"Ao ver multidões, Jesus encheu-se de compaixão por elas, porque estavam cansadas e abatidas"
(M, 9, 36)


Dedico esta postagem a Carlinda, pela passagem do seu aniversário e, a Paulo Patriota por suas inigualáveis definições do que ela representa para todos nós da comunidade virtual, e sobretudo pelo que ela representa na vida real de cada um de nós que privamos da sua amizade.
Digitada em computador de única tecla, portanto, impossível de deletar, protegida contra ataques de virus, porque saiu de dentro do coração, tem " aroma que nunca dissipar-se-á do meu jardim humano", em cujo espaço vocês dois têm lugar definitivo.
Hoje tem endereço no Sul da Bahia, onde Carlinda veraneia com sua família, nesta bela casa de praia.
Feliz Aniversário, minha amiga, que Deus conserve tua presença entre nós por longos anos!