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domingo, 22 de julho de 2012

sexta-feira, 6 de julho de 2012

A MORTE NÃO EXISTE, GONZAGA PERAZZO APENAS MUDOU-SE

Dr. Gonzaga Leite Perazzo (in memoriam)

Texto pinçado de vários sites da Internet:

"Gonzaga, nascido em Tuparetama, era engenheiro civil e irmão de Francisco Perazzo, que foi governador do Distrito do Rotary e secretário do governador Carlos Gueiros. Perazzo era ligado ao ex-governador Roberto Magalhães, de quem foi secretário também na Prefeitura do Recife.
Luiz Gonzaga Perazzo, ex-presidente da Compesa, cometeu suicídio se jogando da cobertura do prédio em que morava no bairro de Boa Viagem. Gonzaga, nascido em Tuparetama, era engenheiro civil e irmão de Francisco Perazzo, que foi governador do Distrito do Rotary e secretário do governador Carlos Gueiros. Perazzo era ligado ao ex-governador Roberto Magalhães, de quem foi secretário também na Prefeitura do Recife.
Perazzo, como era conhecido, também secretário-executico do Ministérios de Minas e de Energia na gestão do ex-ministro José Jorge. Ocupou ainda vários cargos, sendo presidente da Celpe no Governo Joaquim Francisco.
Nos últimos anos, estava dedicado à iniciativa privada, cuidando do seu escritório de consultoria e da sua fazenda em Tuparetama, onde tinha uma pequena fábrica de laticínios."


Deixo aqui registrado o nosso pesar pela tragédia que envolve toda família Perazzo nesse momento de dor. Venho apresentar minhas condolências a todos os familiares em nome de todos os filhos de Antônio Piancó Sobrinho (in memoriam) e do meu marido Carlos do Rêgo Vilar. Lamentamos profundamente o acontecido. Privamos da amizade de Gonzaga desde os tempos da nossa adolescência. 

No ano de 1967 eu estava em Recife, morando na casa de Francisquinho e Ivone à Avenida Conde de Irajá, no bairro da Torre. Francisco Perazzo (in memoriam) era casado com Ivone de Siqueira, uma das filhas de Walfredo Paulino de Siqueira, do qual meu pai era sócio nos negócios. Daí a razão de Ivone e Francisquinho (que também era conhecido na capital como Perazzo) terem me acolhido em sua residência para que eu pudesse concluir meus estudos. Não foram poucas as vezes, quando o casal viajava,  que fiquei na casa do Benfica, no bairro da Madalena, pertencente ao seus pais, Seu Perazzo e Dona Ana (in memoriam). Naquela casa da Madalena moravam Gonzaga,  Rita e Elisa, suas irmãs.  Gonzaga ainda era um jovem estudante de engenharia, e foi durante esse convívio que eu tive oportunidade de consolidar nossa amizade.

A família Perazzo havia nascido no Sertão do Pajeú, na Cidade de Tuparetama, uma cidade perto de Itapetim, onde eu nasci. Muitas vezes, ao ir visitar meus pais, eu pernoitava na Fazenda de Seu Perazzo e de Dona Ana, os pais de Gonzaga, à espera de que meu pai fosse me buscar para minha casa. Porém, uma certa vez nós saímos de Recife em uma semana de carnaval e, ao chegar na fazenda, as meninas, Rita e Eliza, pediram a Francisquinho para não avisar ao meu pai sobre a nossa chegada na fazenda. A intenção era de me levar ao Clube de Tuparetama para brincar o carnaval, nem que fosse por uma única noite. Meio apreensivo Francisquinho concordou, pois ele temia a ira do meu pai que, certamente, não concordaria com o pedido das meninas. 
Lembro-me, com muitas saudades, de que foi uma noite maravilhosa que passei juntamente com elas e Gonzaga.
Quando o dia amanheceu, mal entramos em casa, Francisquinho já estava ao  telefone comunicando ao meu pai da minha chegada. Poucas horas depois, ele chegou na sua rural Willys e me levou para Itapetim, o que me custou muitas lágrimas por não poder brincar o restante dos dias carnavalescos.

Guardo, também, uma saudosa lembrança de Minga. Minga era uma tia velha dos meninos, ela era irmã de seu Perazzo, quando não estava na fazenda é porque estava em Recife, hora na casa de seu Perazzo no Benfica, hora na casa de Francisquinho e Ivone no bairro da Torre.
Minga já estava com a idade bem avançada. Gostava de sentar no terraço e observar o vai e vem dos ônibus que seguiam em direção à cidade. Acostumada àquela vida pacata da cidadezinha de Tuparetama, onde as pessoas se deslocavam a pé,  vezes por outra ela dizia:

- Esse povo daqui não tem o que fazer não, é? Passa o dia todinho atrepado nesses ônibus, oxe!
- Eles estão indo ao trabalho, Minga. Respondia-lhe. Mas ela retrucava:
- Mas são os mesmos, eles vão e voltam na mesma hora.
Pobre minga, a idade já estava atrapalhando a sua cabeça!

Naquela época, o fino mesmo era ir aos cinemas São Luiz, Moderno ou Trianon e, depois, tomar sorvete na Estoril da Rua Nova. Era fazer compras na Sloper, que era uma loja elegante, com mercadorias de primeira, vendedoras lindas e muito bem vestidas nos seus tradicionais uniformes e, ainda vivo na minha memória, o maravilhoso cheiro dentro da loja. Subir e descer na escada rolante da Viana Leal. Não menos prazeroso era tomar o ônibus elétrico, curtir a beleza do Recife pelas janelas, passar defronte ao Palácio Episcopal dos Manguinhos e tentar ver D. Hélder Câmara, o saudoso Bispo da Arquidiocese de Olinda e Recife.
Ô saudade, meu Deus! O tempo se encarregou de nos separar, cada um pro seu lado foi viver a nova vida que estruturou no tempo da mocidade.

Só nos encontramos depois em enterros de membros da família. Mas o mesmo tempo que nos separou me colocou novamente frente a frente com Gozaga Perazzo.

Muitos anos depois, já formada em Ciências Econômicas, no Governo de Jarbas Vasconcelos, eu tive a oportunidade de trabalhar com ele, como gerente de articulação institucional, técnica em Planejamento e Orçamento Público, por pertencer ao quadro de funcionários da Secretaria de Infraestrutura (hoje Secretaria de Transportes). Gonzaga havia sido nomeado Presidente da Companhia Pernambucana de Saneamento - COMPESA, posto que, naquela época, a COMPESA era uma empresa vinculada à minha Secretaria e, naquela ocasião, era a responsável pela execução do Programa Prioritário do Governo "Águas de Pernambuco". 

Depois do Governo Jarbas, algumas vezes encontrei-me com o meu amigo no Shopping Tacaruna, na praça de alimentação. Depois disso ele foi convidado para o Ministério das Minas e Energia pelo Ministro José Jorge, seguiu para Brasília e nos perdemos definitivamente. 

Eu continuei a serviço do Governo do Estado, na minha Secretaria de origem, quando certa vez uma colega me procurou trazendo nas mãos um pacote de fotografias. Ela se dirigiu a mim e me perguntou:

- É verdade que você é amiga do Dr. Gonzaga Perazzo?
Ao que lhe respondi: 

- Sim. Não só sou amiga como sou sua conterrânea, pois ele nasceu no meu Sertão do Pajeú. Por quê?
- Fizeram uma limpeza nos arquivos velhos da Secretaria e colocaram essas foto no lixo, eu as apanhei por curiosidade, em meio a tantas estavam essas do seu amigo. Você teria interesse em guardá-las, ou mesmo condições de entregá-las a ele?

De posse das fotos, eu pude depreender que se tratavam de fotos oficiais, as quais registravam as inaugurações de obras de eletrificação rural, executadas através do Programa LUZ DA GENTE,  na gestão do então Governador de Pernambuco Joaquim Francisco, equivalente ao mesmo programa criado, posteriormente,  pelo Ex-Presidente Lula,  LUZ PARA TODOS. 

Em todas elas estava o meu amigo, cujo cargo de Presidente da CELPE justificava a sua orgulhosa presença no momento daquelas inaugurações.
Guardei-as comigo, na esperança de um dia poder entregar em suas mãos, até o dia 26 desse mês em curso, quando estarrecida li a seguinte nota emitida pela CELPE à imprensa de Pernambuco:

" Nota à imprensa
Recife, 26 de junho de 2012 – A Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) lamenta o falecimento do ex-presidente da concessionária Luiz Gonzaga Leite Perazzo. Profissional de reconhecida competência e de excelente relacionamento com os colegas de trabalho, Perazzo presidiu a Celpe entre os anos de 1991 e 1994. Na empresa, também ocupou o cargo de Diretor de Operações, no qual prestou importantes serviços à população pernambucana. Diante da irreparável perda, a Celpe se solidariza à dor da família e dos amigos."
Fiquei atordoada com a triste e dolorosa notícia de seu falecimento, principalmente por ter acontecido de forma tão trágica. Lembrei-me da sua alegre presença no Porto do Recife por ocasião da cermônia de posse do meu marido Carlos Vilar no cargo de Administrador Geral daquela empresa. Naquela cerimônia ele ficou lado a lado comigo e, no meio do discurso de Vilar, chegou a cochichar nos meus ouvidos:

 " Ajude a seu marido a cumprir essa difícil tarefa, é da mulher, da companheira de todas as horas que depende o equilíbrio e o desempenho do homem público"

Lusa Piancó Vilar, ladeada à direita pelo Dr. Gonzaga Leite Perazzo (Presidente da CELPE) e à esquerda pelo conterrâneo Antônio Machado. Em minha frente, meus filhos, ainda crianças: Carlos Eduardo e Karla Sandra.
Foto tirada no dia da investidura no cargo de Administrador do Porto do Recife do meu marido Carlos Vilar - Ano de 1991.

Não podemos esquecer que este cargo no qual meu marido tomou posse, decorreu da interveniência do Dr. Luiz Gonzaga junto a Dr. Roberto Magalhães que, a época, como Deputado Federal procurava alguém capaz de administrar o Porto do Recife com a devida competência para assuntos portuários e, sendo Carlos Vilar um portuário desde 1975, Gonzaga Perazzo o convenceu de que ele seria a pessoa certa, no lugar certo, tanto é que Carlos ficou 10 anos à frente daquela administração.

Infelizmente não podemos mais contar com a sua amizade, a fatalidade bateu em nossa porta, ficamos privados da sua presença física entre nós, mas você fez morada eterna nos nossos corações, de consolo nos resta a lembrança viva do nosso convívio cujos laços de afetividade ultrapassarão as barreiras da eternidade. Que Deus ilumine o seu descanso eterno, que lhe dê a paz necessária que não mais encontrou em vida. 

ARQUIVO FOTOGRÁFICO RESGATADO POR MIM:
DR. LUIZ GONZAGA LEITE PERAZZO - PRESIDENTE DA CELPE
GOVERNO JOAQUIM FRANCISCO 1991 - 1994









MORRE SEU MOISÉS, EX-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA DA PIEDADE


Sr. José Nilo (Ex-Presidente da Associação Comunitária do Sítio Gameleira), Sr. Moisés de Lucas (Ex-Presidente da Associação Comunitária do distrito da Piedade) ao lado do então candidato a Prefeito do Município de Itapetim - Ano 2000 -  Carlos do Rêgo Vilar e sua esposa Lusa Piancó Vilar.


Seu Moisés da Piedade, como era conhecido entre nós, era um homem simples e de pouca leitura. Foi no ano 2000 que eu o conheci. À época ele ocupava o cargo de Presidente da Associação Comunitária do distrito de Piedade. 
Foi nesse mesmo ano que Governador Jarbas  Vasconcelos, tendo adotado o orçamento participativo, estava convidando toda a sociedade civil organizada do estado de Pernambuco a participar da elaboração do Plano Plurianual da sua primeira gestão. 
Como técnica em planejamento e orçamento público, funcionária da Secretaria de Infraestrutura, eu me sentia apta a coordenar esse trabalho de adesão das comunidades, cuja representação se dava através dos seus presidentes. Acompanhada do meu marido, do ex-vereador Tadeu Bezerra, da minha irmã Elizabeth Piancó, que na época ocupava o cargo de Diretora do Centro Social Urbano Otaviano Correia - CSU, e do nosso amigo Prazeres, técnico agrícola da EMATER e Presidente do Conselho de Desenvolvimento Municipal, percorri toda área rural do meu município, visitei por diversas vezes a Vila de São Vicente e o Distrito da Piedade, com a missão de capacitar todas as associações legalmente constituídas no sentido de apresentarem suas demandas relativas aos problemas existentes em suas comunidades a fim de serem combatidos  através de ações do governo.
Foi neste contexto que se deu minha aproximação com o cidadão Moisés de Lucas no distrito de Piedade. 

Basicamente quase todos os presidentes dessas associações eram nossos adversários políticos, inclusive seu Moisés. Eles acompanhavam politicamente o prefeito do Município, porém já demonstravam insatisfações relativas àquela administração. Não demorou muito para que todos eles manifestassem o desejo de lançar a candidatura do meu marido a prefeito. Seu Moisés nutria pela minha pessoa uma admiração profunda, eu sentia isso. Minha palavra para ele valia ouro. Na pureza dele, o seu desejo era que meu marido fosse o prefeito e eu a vice-prefeita. Quando a chapa majoritária foi homologada, ele me confessou a sua decepção:

- Drª "LÚIZIA", eu não me conformo com essa chapa de Dr. Carlos. Pra mim a senhora será sempre a minha vice-prefeita! Tudo que precisar para o meu povo eu vou pedir "premeramente" a senhora, depois a senhora vai pedir pro Dr. Carlos me atender.

Ele se dizia um homem analfabeto que estava no mundo da política para defender o seu povo. Talvez, por ele se chamar Moisés tinha tanto orgulho em dizer que tudo que queria era para "seu povo". Talvez, seu desejo fosse libertar o seu povo, como o Moisés bíblico libertou o dele do jugo dos faraós. 
Conquistou uma vaga para candidatar-se a vereador na chapa de Carlos Rêgo e, em todos os comícios, lá estava ele levando sua palavra ao seu povo. Jamais começou ou terminou seu discurso sem me fazer a sua saudação. Entendeu que deveria chamar-me de Drª LÚIZIA,  porque ao ter consciência de que tinha pouco conhecimento, o pouco que eu sei dava a ele uma dimensão bem maior e por isso condecorou-me com o título de Doutora.

Hoje, quando recebi a notícia de que ele havia nos deixado, para viver em outro plano de vida, eu recordei todos os momentos de convivência com esse homem simples, de caráter irrepreensível, de coração grande, de uma humildade que incomodava. 

Eu me lembrei daqueles discursos que ele fazia em cima do nosso palanque, repetitivos, cheios de erros de português, muitos deles não foram escutados pelo público, porque não lhe davam muita atenção. Mas eu sempre me mantive ali, ao lado dele, ouvindo cada palavra, incentivando-o a se comunicar com o seu povo, aplaudindo-o e, nos meus discursos, sempre a lhe retribuir as atenções dispensadas e o respeito que sempre teve pela minha pessoa.

DISCURSO DE SEU MOISÉS 
HOMOLOGAÇÃO DA CANDIDATURA CARLOS RÊGO 2000
CLUBE ACRE- ITAPETIM-PE


Em sua homenagem eu deixo aqui o filme "MOISÉS", pois, analogamente, o nosso Moisés da Piedade também desejou libertar "o seu povo" da escravidão a que foi submetido, sob o jugo de uma péssima administração. Por uma incrível coincidência o Programa de Governo do então candidato  Carlos Rêgo preconizava um governo com dez linhas de ação para serem realizadas, e o Moisés bíblico também recebeu das mãos de Deus os Dez Mandamentos de sua Lei. 



Muito obrigada, seu Moisés, descanse em paz no Reino de Deus, e, se possível, peça-Lhe para enviar-nos um outro "Moisés", pois o nosso povo ainda continua subjugado à corrupção e aos desmandos dos seus governantes, salvo raríssimas exceções. Necessariamente não precisa nos levar para uma terra que corre leite e mel, basta que seja uma terra em que os mandatários tenham respeito aos direitos de todos os seus cidadãos.

terça-feira, 15 de maio de 2012

NUANCES D'ALMA DA POETISA BEATRIZ PASSOS

Beatriz Gomes dos Passos e Silva

Na década de 1960 eu era aluna da Escola Normal São José. Foi nesse educandário fundado pelo Professor Bernardo Jucá Júnior (in memoriam), na Cidade de São José do Egito, que eu conclui os meus estudos a nível médio. Em 1966 eu deixava aquela cidade com um diploma de professora primária debaixo do braço, pois havia concluído o Curso o Normal Pedagógico e, no ano seguinte, seguira para Recife, a capital do meu estado, em busca do ingresso na Universidade.
Muitas das lembranças daqueles sete anos, vividos naquela cidade, ainda estão guardadas no baú das minhas memórias. São lembranças de menina, menina-moça e moça feita, pois, quando lá cheguei, eu tinha apenas dez anos de idade, e quando voltei para a casa dos meus pais eu já tinha completado meus dezessete anos. 

São José do Egito é uma cidade geograficamente acidentada, cheia de grandes ladeiras e, por esse motivo, costumávamos chamar ruas de baixo e ruas de cima. A minha casa ficava na parte baixa, e o meu colégio na parte alta, não muito longe, pois da varanda do meu jardim eu podia observar os estudantes que se aglomeravam defronte dele, esperando a sineta tocar anunciando que as aulas iriam começar.

Entre o meu colégio e a minha casa, bem no meio da ladeira, ficava a casa de seu Valdevino e Dona Severina, os pais das minhas professoras Carminha e Elvira Gomes (in memoriam). Também moravam nessa mesma rua, "parede de meia" como se costuma dizer lá no meu interior, uma outra filha do casal, Dona Toninha, cuja filha, Socorro Gomes, morava com ela. As duas eram minhas colegas de sala de aula. Dona Toinha, incentivada pelas irmãs e pela filha, resolvera retomar os estudos que havia abandonado nos tempos da juventude. Era uma doce criatura, calma, fina, educada e, como tinha uma idade bem maior do que as colegas de sua turma, era considerada uma espécie de "mãezona", muito querida e respeitada por todas. Aliás, na mesma condição, com idade bem maior que a nossa, estavam Dona Terezinha Ferreira e Rachel Nunes, essa última minha conterrânea, também nascida em Itapetim.

Como em todo colégio, a turma sempre se divide em equipe para fazer trabalhos escolares. Pertencer a equipe de Dona Toinha e Socorro Gomes era um privilégio. Sempre nos reuníamos na casa de Dona Severina para elaborarmos aqueles trabalhos e nada melhor do que ter por perto a saudosa Dona Elvira, que era nossa professora de Inglês, Matemática e Português, e guardando as devidas diferenças, estudar naquela casa se assemelhava ao Google de hoje, tínhamos verdadeiras enciclopédias humanas estavam sempre prontas a nos tirar as dúvidas existentes.

Havia na casa de Dona Severina um outra filha, cujo marido cursava Direito na Cidade de Caruaru e, por força disso, ela morava com os pais. Quando refaço na mente o tempo em que frequentava àquela casa, eu vejo aquela mesa cheia de livros, rodeada de estudantes, jovens alegres que se riam de qualquer bobagem, que no devaneio própria da juventude levavam horas para concluir uma tarefa, daí o importante papel da nossa "mãezona" Dona Toinha, como membro da equipe: - Meninas, desse jeito não vamos terminar isso nunca! Um outro lance na minha memória que se delineia muito palidamente, é uma cena que não fazia parte daquele propósito de estarmos ali, mas  era real e não posso ignorá-la. Eram uns meninos que brincavam na calçada, corriam pra lá e pra cá e faziam um enorme alarido. Vezes por outra Socorro, a filha de Dona Toinha, se levantava, ia até a porta e gritava:

- Meninos, parem com essa algazarra, vocês estão nos desconcentrando!
 E voltava para retomar a tarefa. 
Mas esse meninos não lhe davam ouvidos, parece até que, desafiados, gritavam mais ainda!
E Socorro voltava a ação:

- Tadeu! Tadeu! Sua mãe está lhe chamando para tomar banho! Venha menino, se não eu vou ter que ir pegá-lo.

Eu me lembro do rostinho bonito daquele menino, magricelo, peralta, um pestinha! Ele parecia com um sobrinho meu, Danilo, filho da minha irmã caçula, Rita de Cássia.

Mesmo com todas as dispersões, no final da tarde fechávamos as bolsas escolares com os trabalhos concluídos. Ao anoitecer, o Cine São José que ficava defronte a casa de Dona Toinha,  ligava o serviço de som para anunciar a programação cinematográfica para o final de semana, e logo se podia ouvir a voz do locutor:

- O Cine São José estará exibindo neste sábado próximo, a sensacional película cinematográfica : Ben-Hur, com Charlton Heston, não percam, ingressos na bilheteria a partir ...



E assim, entre um anúncio e outro, o Jerry Adrianni enlouquecia os corações com as suas músicas maravilhosas:


Tudo isso ficou para trás, nos perdemos nos labirintos da vida. Terminado o curso, cada um foi cuidar da sua vida. Nunca mais nos vimos, nem notícias! Não desfrutávamos, como hoje, dessa facilidade para comunicação. As distâncias geográficas nos separaram, pareciam ter nos separado para sempre. Nunca mais tinha me encontrado com minhas ex-professoras, nem com minhas ex-colegas ...

Mas a vida que separa é a mesma que nos põe frente à frente novamente. Um belo dia, minha irmã mais nova, que ficou morando com meus pais até o dia em que eles faleceram,  me telefonou: 

- Maua! (é assim que ela me chama)
- Maua, vou me casar! 
- Quem é o rapaz?
- Ele é de São José do Egito, acho que você não o conhece. Ele veio ser o Juiz da Comarca daqui, de Itapetim. 
Conversamos por algum tempo, depois ela resolveu passar o telefone para ele.
Falamos um pouco e ficou acertado que eu iria a Itapetim para conhecê-lo.

Alguns meses mais tarde, o casamento realizou-se na Matriz de São José do Egito, na terra dos seus familiares, eu e meu marido fomos um dos padrinhos.

Chegamos para a cerimônia com um razoável atraso, como de costume, os outros padrinhos já tinham ocupado os seu devidos lugares, os noivos já estavam no altar.
Os pais do noivo posicionados à direita do altar e, do lado esquerdo, onde deveriam estar os pais da noiva havia um vazio, pois  minha irmã já havia ficado órfã, nossos pais já eram falecidos.

Ali naquela Igreja enquanto minha irmã dava início a uma vida nova, eu entrava no túnel do tempo, e cobrava da minha memória a montagem de cenas outrora vividas no seio daquela família a quem minha irmã se ligava pelos laços matrimoniais. 

Ali na minha frente tinha um noivo de paletó, que tinha um rosto de homem que nas minhas lembranças se misturava a um rosto conhecido na minha meninice. E de repente, era como se eu tivesse escutando novamente:

- Tadeu! ô Tadeu! Tua mãe está chamando para tomar banho!

Meu Deus! Aquele noivo da minha irmã, que estava prestes a se tornar seu marido era o pequenino Tadeu, o primo de Socorro Gomes, o sobrinho de Dona Elvira e de Carminha Gomes, minhas ex-professoras. Era o sobrinho de Dona Toinha, a mãezona da minha turma de colégio. Era o neto de Dona Severina e de Seu Valdevino, que tanta paciência tiveram com aqueles estudantes barulhentos que frequentaram a casa deles. 

Era o filho de Beatriz Passos, aquela senhora que ficava sentada numa das poltronas da sala ( cujo  esposo, José Silva, fazia o curso de Direito em Caruaru) olhando aquela equipe elaborar os seus trabalhos, enquanto seus filhos brincavam na calçada.

Aquela cena remontada na minha memória eu poderia chamar de "nuances d'alma", mas não vou fazê-lo em respeito aos direitos autorais do título do livro que a poetisa Beatriz Gomes dos Passos publicou em 2010, e que eu tive a honra de ser convidada para o seu lançamento, aqui em Recife, na Casa da Cultura. 

No livro, como que em recompensa de um passado que se perdera, Beatriz homenageia um "presente em comum" que a vida nos deu,  como elo de resgate daquela amizade que no passado nos uniu, pois, eis que seus netos são também meus sobrinhos: Danilo e Ana Beatriz, frutos da união de minha irmã  Rita de Cássia com seu filho José Tadeu Passos.

UMA LUZ DE ESPERANÇA
(De Beatriz Passos para Danilo)

Eu te dou com meu beijo esse presente,
Pois agora és a minha inspiração.
Maravilha de todo sol nascente,
Esperança de mais renovação.

Tua vinda me fez bem consciente
De que não vou sentir mais solidão
Pois estou bem feliz e consciente
Deste amor que te dou do coração.

Transformaste o meu mundo em alegria
Com teu riso que muito me encanta
Nesse olhar transbordando a poesia,

Que me fez retirar toda tristeza
E sentir-me feliz de forma tanta
Meu amor, perfeição da natureza.

LUZ SUBLIME
(De Beatriz Passos para Ana Beatriz)

Tens no olhar a expressão da poesia,
Revelando o poder da criação
Nessa face tão meiga de alegria,
Transmitindo a divina inspiração.

No acalanto da pura melodia
És estilo de graça e perfeição.
Atraente tal qual a luz do dia,
Porque és dom de Deus, sublimação.

... Que assim repassaste de grandeza.
És criança mimosa e majestosa, 
Criação divinal da natureza.


LANÇAMENTO DO LIVRO NUANCES D'ALMA
Da Poetisa Beatriz Gomes dos Passos e Silva
Casa da Cultura - Recife - PE

04/12/2010


Poetisa Beatriz Passos - Autografando

Ao Som do Grupo Encanto e poesia, que fez sua apresentação durante o evento, um dos componentes é seu neto Greg Marinho.

"O grupo nasceu de improviso, como tudo que ele faz. Numa apresentação do poeta Antonio Marinho, no restaurante Sala de Reboco, como abertura de um show do Poeta e Cantor Renato Teixeira. Na circunstância, sem combinar nada, o irmão de Marinho, Greg, pegou o violão e começou a acompanhar o recital, dando a ele cadência e musicalidade. Depois apareceram um zabumbeiro e mais um percussionista no palco e, sem ensaio, um espetáculo pronto surgiu. Era o ano de 2005. Desde então, de forma natural o grupo vem modificando a sua formação tendo sempre fixos os irmãos Antonio Marinho, Greg Marinho e Miguel Marinho. 
O grupo traz como referência, Lourival Batista, Antonio Marinho, Job Patriota, Rogaciano Leite, Cancão, Lamartine Passos e Zeto são algumas das fontes nas quais eles bebem. Têm andado o Brasil inteiro fazendo shows, e este ano colocarão na rua o seu primeiro CD. A formação atual do grupo é a seguinte: Voz e cordas - Greg Marinho Voz e efeitos - Antonio Marinho Pandeiro e voz - Miguel Marinho Percussão e efeitos - Junior Teles"




A poetisa Beatriz Passos é casada com o Advogado, também grande poeta, Dr. José Silva.
Mãe de nove filhos.
Professora graduada em Letras.
Lecionou durante 28 anos, reside em São José do Egito, hoje é aposentada, tendo dedicado seu tempo livre a escrever livros, esse é o segundo, o primeiro foi editado em 1999 : 
 " Nos Passos da Poesia".

Ouça algumas poesias declamadas pelo poeta Marcos Passos (filho da poetisa)

"MOCIDADE É UM VENTO PASSAGEIRO
BEIJA A FACE DA GENTE E VAI EMBORA"

domingo, 13 de maio de 2012

PARABÉNS PARA TODAS AS MÃES


O segundo domingo do mês de maio é o dia em que comemoramos o Dia das Mães. Esse ano uma feliz coincidência faz com que as mães comemorem essa data junto aos cristãos que comemoram também o 95º aniversário da aparição, em Fátima, da Mãe de todas as mães..

Pedindo a Virgem de Fátima que abençoe todas as mães do mundo, deixo nesta postagem o meu abraço parabenizador para todas elas. Para as mães que já partiram para a vida eterna, minhas orações!



Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós que recorremos a Vós!

domingo, 22 de abril de 2012

UMA CARTA DE ISADORA MORAES PARA O VOVÔ JOÃO GRILO


Seu João Grilo nos tempos da Juventude
(in memoriam)

Hoje vi uma postagem no facebook, no mural de uma das minhas amigas. O que estava escrito me chamou muito atenção, talvez, porque nos tempos de hoje está se tornando cada vez mais raro o jovem revelar esse tipo de sentimento. De maneira geral, a juventude, salvo exceções, se comporta como se bastasse a si própria e, de seus antepassados, quando muito, guarda pálida lembrança.
Estou falando de uma moça chamada Isadora Moraes, que escreveu para o seu vovô João Grilo a mais emocionante carta de saudade que já pude ler. 
Junto-me a neta de seu João para render homenagens a esse homem que deixou muitas saudades, não só para seus familiares, mas, de um modo geral, para todos os seus amigos e conterrâneos que tiveram a honra de com ele conviver.

 ETERNAS SAUDADES.
Para João Grilo de Araujo, meu avô.

Isadora Moraes

Meu avô, minha vida, meu tudo! Vovô, fazem quase 6 anos que Deus te chamou pra ficar junto dele, e tirou você de mim, de nós. Hoje eu queria dizer não sou mais a mesma depois que você se foi, e com certeza não serei jamais, você é de grande importância na minha vida, e a saudade que eu sinto de você só acumula, uma saudade que eu sei que jamais vou conseguir apagar, a sua imagem me vem sempre à cabeça, eu me lembro constantemente de você, do jeito como você falava de mim, do seu jeito de sorrir, de ver a vida, me lembro de tudo.


Hoje você não está mais aqui comigo, e eu sei o quanto isso meche comigo, e o quanto isso me deixa triste. Sempre me lembro de você com lágrimas nos olhos, e sorriso na boca, lágrimas de saudade, e sorriso de felicidade, pelos momentos bons que compartilhamos juntos. É vovô, por aqui as coisas não andam nada fáceis, e eu imagino o quanto tudo isso seria diferente se você estivesse aqui, com a sua convicção, com o seu jeito durão e ao mesmo tempo sensível.Todo mundo via o carinho e o cuidado que você tinha comigo, você nunca escondeu de mim que eu era tudo pra você, a sua preocupação, os seus sermões, o seu amor, o seu cuidado, tudo isso me fez ser o que eu sou hoje, e eu serei eternamente grata a você, por nunca ter me deixado faltar nada, por me fazer completa, quero te agradecer por cada momento bom que pude desfrutar ao teu lado, por cada sorriso sincero que você deu pra mim, por cada história, por cada beijo de saudade...


Sinto saudades de quando você me pedia pra morar com você, de pedir sua opnião em tudo, isso tudo me faz falta. Quando eu te perdi,vovô, eu vi que você era uma das pessoas mais importantes da minha vida, quando eu realmente vi que você não ia mais voltar, que eu nunca mais ia ver você, conversar com você, ouvir suas histórias, seus sermões.


Ô vovô, eu me arrependo tanto de não ter aproveitado mais o tempo que eu tive com você, eu não tive como me despedir de você, e quando te vi pela ultima vez, não imaginei que seria a ultima, mas foi. Deus quis assim, sua jornada na terra acabou, e eu infelizmente não posso fazer nada para reverter isso. Você estará eternamente vivo em meu coração, será sempre lembrado por mim, será sempre amado, estimado e respeitado. Eu te amo muito vovô, e sinto muitas saudades de você. Fica com Deus, cuida de mim, olha por mim, não me deixa só, não esquece de mim, porque eu não esqueço de você jamais.

De sua neta,
Isadora.


Nota:

Parabéns Isadora, pela sua sensibilidade, por essa belíssima demonstração de carinho, respeito e saudade do seu querido vovô. Lá no céu, ele recebeu sua mensagem e intercedeu em seu favor, pedindo a Deus que sempre a proteja e a defenda dos males dessa vida. Um beijo, você é uma neta abençoada!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

ADEUS COMADRE CREUSA!


A família Sargento Material / Creusa Rodrigues



No dia 5 de janeiro de 1955, chegava em Itapetim,  o casal Augusto e Creuza Rodrigues, ele como soldado da Polícia Militar, egresso do município de Custódia-PE, com apenas dois filhos: João e Roberto. João foi criado pelos avós e, por esse motivo, somente Roberto acompanhara os pais para se estabelecer na nossa terra.
Meu pai havia construído a nossa casa de morada, em 1953, bem ao lado da Igreja Matriz, e o casal recém chegado foi morar em uma casa vizinha à nossa, cujo proprietário, hoje, é o Senhor João Fotógrafo.

A casa dos meus pais na década de 1950 - Do lado esquerdo: a casa de seu Manoel da Porteira e a Casa Paroquial e do lado direito: a casa em que morou a família de Material e Creusa Rodrigues.

Uma família ligada por laços políticos e por uma amizade profunda, principalmente por um relacionamento fraterno que existia entre minha saudosa mãe Rita Piancó e a inesquecível Creusa, esposa de seu material soldado. Roberto passara a ser a companhia do meu irmão João, pois por ser o único homem entre seis mulheres tinha aquele menino, chegado de Custódia, como um verdadeiro irmão. 
Ele tinha os cabelos longos, na altura da cintura, pagava uma promessa que a mãe havia feito pra que se curasse de uma doença, que não me lembro mais de que natureza. Só sei que o cabelo dele nos chamava atenção. 

Dão (meu irmão) e Roberto Rodrigues (filho do Casal Augusto e Creusa)

Acho que poucas pessoas sabiam que o Soldado Material tinha sido batizado com o nome de Augusto. Talvez, o Sargento Material, ainda hoje, tenha o seu verdadeiro nome desconhecido por muitos. Entretanto, a ninguém da minha terra é dado o direito de desconhecer a trajetória de vida honrada dessa família que veio se estabelecer no nosso torrão natal. Os anos foram passando e a família do Sargento foi aumentando. Depois de João e Roberto, chegaram os nascidos em Itapetim: Margarida, Margareth, Maria do Socorro, Maria José, Doda, Tadeu e Aparecida, todos eram como se fossem nossos irmãos, inclusive chamavam de vozinha a nossa saudosa avó D. Conceição Piancó, e de Tia Dolores e Tio Benzinho, os nossos tios de saudosa memória que com ela moravam. 

Quando Margareth nasceu, meus pais foram tomados como padrinhos de batismo e a amizade se estreitou ainda mais. Daquele dia em diante o casal passou a ser para todos da minha família a Comadre Creusa e o Compadre Material, e o mais interessante é que eles também nos tratavam da mesma forma, desde os meus pais até a caçula Rita de Cássia minha irmã , até os dias hoje, continuaram nos chamando de "comadres".

Despedir-me de Comadre Creusa é o mesmo que fechar um capítulo da minha vida de criança e adolescente do qual ela fez parte ativamente. Amiga fiel e confidente da minha mãe, solidária, companheira disponível, agradável companhia, uma verdadeira irmã; talvez maior e melhor do que muitas consangüineas que não sabem, como elas, manterem ao longo de toda a existência tanto amor, tanta compreensão e tanto respeito  entre si.

Ao chorar a saudade de Comadre Creuza, eu misturo minhas lágrimas com as que derramo pela falta que sinto da minha inesquecível mãe. Elas foram "Comadres" inseparáveis aqui nesta vida terrena, e sinto que vão se encontrar na eternidade, vão, diante do Trono do Senhor, receber as graças merecidas em recompensa pela amizade verdadeira que as uniu aqui na terra como duas verdadeiras irmãs que se amam.


Vai comadre Creusa, vai ao encontro do Pai Eterno e, se Ele permitir o encontro com a minha mãe, diz a ela, a minha inesquecível mãe, que todas as suas filhas, as suas eternas "comadres"  honraram essa amizade pura, sem maiores interesses, e te amaram até o último momento em que estivesse entre nós.

Saudades Eternas das Comadres e Compadres, filhos de Compadre Toinho e Comadre Rita!