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segunda-feira, 14 de março de 2011

LÁ VEM O TREM


E foi assim que o "Trem da Vida" me trouxe mais um ilustre passageiro para para me contar de que forma ele  fêz parte da minha história de vida, nos tempos do meu saudoso pai, Antônio Piancó.



Grato pela atenção dispensada e a forma elegante como me recebeu na sua página. Isso é igual a se receber na própria casa. Se bem, a gente retorna. E por isso retornarei outras vezes aquí. Já salvei nos meus favoritos. Deus vos abencõe...
Bonito resgate in memória você elaborou de sua família. Visitar, ver a foto do seu pai, a máquina do tempo engatou uma marcha à ré a minha infância. E recordei-me do meu primeiro B-A-BA no grupo escolar do Mocambo que ele construiu, quando prefeito do Município.
Visitar sua página, me levou aos anos 70 vendendo goiabas na fábrica do seu pai. Você não tem fotos da fábrica? Quando visito a cidade, subo no portão e dou uma olhadinha! Não resisto! Bom gosto da escolha da música de abertura do seu Blog, tudo haver!
ALGODÃO, FIBRAS DO SISAL, GOIABAS. De tudo produzi um pouco, e seu pai me comprava todo produção. A Fábrica foi um grande marco precursor para o desenvolvimento de nossa cidade. TINHA A INDÚSTRIA E O COMERCIO COMO SEU FOCO PRINCIPAL.
(Usina da cultura) - A senhora tem nas mãos uma chave importantíssima para enriquecer os turistas que visitam nossa cidade nas juninas. "A chave que abre as portas da antiga Fábrica Dandão para visitação naqueles dias".
Não se trata apenas de uma antiga fábrica fechada. (Que muito colaborou com o progresso da nossa cidade). Aquilo é muito mais, aquilo tem história e muito valor cultural para a nossa memória . Já pensou na idéia?

Dias depois recebi este belo poema em homenagem a velha Fábica de Doces Dandão. que no passado pertenceu ao meu saudoso pai Antônio Piancó.


 


FIBRA, OURO BRANCO E DOCE MEL
 (Poema dedicado a essa , hoje, usina de cultura)

Três chaminés no meu sertão
Fumegavam sem parar
Sua fumaça solta pelo ar
Perdeu-se na imensidão
Era a Fábrica de Doce Dandão
Que a goiaba processava
E a polpa exportava
Para a Cidade de Pesqueira
Que fazia doce de primeira
Com a polpa que comprava

Antônio Piancó Sobrinho
Comandava a organização
Que na goiaba e algodão
Traçava os caminhos
Administrava com carinho
Fazia prosperar, crescer e empregar
Eram muitos funcionários
Que defendiam seus salários
Para as famílias sustentar

O carro de boi carregado
Conduzia riqueza no sertão
Sisal, goiabas e algodão
Faziam parte desse cenário
E Aquele empresário
Cheio do entendimento
Tinha no foco o crescimento
Da Itapetim que sonhava
Traçava planos, imaginava
A cidade em movimento
Hoje em vulto a solidão
Nas páginas da memória
Que contam a história
De bonança no Sertão
Na entrada do teu portão
O ferrolho já enguiçou
De tão velho enferrujou
E a caldeira não esquenta mais
Deixa saudades pra trás
De um passado que marcou...

Amiraldo Patriota - 16-09-2009
Descobri que Amiraldo tinha uma página no site da Rádio Sol de Itapetim. Passei a ser freqüentadora assídua, e por lá encontrei diversas homenagens aos filhos da terra, reconhecimento de feitos dos grandes homens que fizeram a história da nossa terra. Artigos importantes, de incentivo, de sugestões e de críticas no sentido de colaborar, como cidadão nascido naquelas terras.
Não sou de plágio, mas é melhor prevenir do que remediar, porque às vezes informações que nos dizem respeito estão na Internet e desaparecem - seja por motivos técnicos ou por vontade deliberada de quem pode apagar o que não lhe convém - em detrimento dos que apoiam a divulgação daquela matéria.

Se tivesse guardado a Página de Amiraldo nos meus arquivos pessoais, hoje, poderia enfatizá-los nesta postagem.
Um dos vários poemas deste poeta que mais me emociona é o que fala sobre a casa onde nasceu, talvez pela semelhança que ela guarda com o tipo de construção da casa da minha Avó Conceição, no Sítio Maniçobas, onde meu pai nasceu:

Sítio Mocambo- Casa onde nasceu Amiraldo Patriota

TRÊS DÉCADAS DE SAUDADES

Casinha pequenina
Paredes, portas e janelas
Minha mãe lá dentro dela
Três meninos e uma menina
Lá fora, a lua que ilumina
As noites escuras no terreiro
Lá dentro, a luz do candeeiro
Acendia o pavio no querosene
Iluminando aqueles quatro pequenos
Dormindo nas redes, junto ao celeiro.

Pastorávamos cabras e ovelhas
Criávamos cabeças de gado
Comíamos o leite coalhado
Adoçado com mel de abelhas
Um gato miava, na telha
O cachorro latia com medo e correndo
Do trovão, quando estava chovendo
Enquanto a família dormia
E acordávamos no canto da sinfonia
Dos pássaros, vendo o dia amanhecendo.

Caminhávamos para a roça
Com as borboletas nos guiando
E o orvalho caia molhando
Alagando a terra nossa
Uma junta de boi puxava a carroça
Pra em seguida, puxar o cultivador
Arando as terras do meu avô
Naquele Sertão Pernambucano
Passam-se anos e anos
E ficam as lembranças do que se passou.

Amiraldo Patriota
Retroagindo aos primórdios da Maniçobas, transformou em versos o seu encantamento e a sua emoção em fazer parte dessa viagem. Reportou-se ao velho tronco "Serafim e Joaquina Maria - meus bisavós - e chegou aos meus netinhos, ponta de rama das minhas origens.



O TREM DA VIDA
(Em cada vagão, uma história)


Lá vem O TREM DA VIDA
Carregando em seus vagões
Relíquias e gerações
Pelas estradas percorridas
De uma família nascida
E crescida num berço só
Pajeú e arredor
Continuando em Itapetim
Começando por Serafim
As RAÍZES dos Piancó.

No trem, Maria Joaquina e Serafim
Vem da estação Casa Grande
De onde a família se expande
Da Maniçobas para Itapetim
Tornou-se grande assim
Construíram aqui seus ninhos
Antonio Piancó Sobrinho
Heli, entre outros parentes
Multiplicando a semente
Até SEUS NETINHOS.

Cada vagão traz uma história
Da trajetória de seis gerações
De um passado de recordações
Acervo de tempos de outrora
E vai resgatando a memória
Pelos caminhos, o trem vai passando
E a cada estação, estacionando
E carregado de novos arquivos
Dos que partiram e dos que estão vivos
Você vai lendo e se emocionando.

Amiraldo Patriota.  
A emoção de receber os amigos neste "Trem da Vida" é indescritível. Aprender a pensar é muito importante, mas aprender a "sentir", aprender a alegrar-se pela conquista de amizades, é o que dá sentido as nossas vidas. E o tempo que dispensamos para cultivá-las jamais será perdido, porque amigos são irmãos que não precisam de laços sanguineos para se respeitarem. Amigos são como diz Fernando Brand em sua canção: "Amigo é coisa pra se guardar, do lado esquerdo do peito, junto do coração ..."


E é exatamente onde eu o guardo, poeta, para nunca perdê-lo. Muito obrigada pela sua amizade, por fazer essa "viagem" conosco, pelos poemas dedicados, pelos comentários expressivos às minhas postagens, pelos laços que nos unem, originários do meu passado. 

sábado, 12 de março de 2011

TOTA: UM AMIGO QUE VIROU SAUDADE

Roberto Carlos - Jesus Salvador




Era um sábado de carnaval, dia 05 de março de 2011. Estávamos em Natal, no Rio Grande do Norte. Ao acordar, antes de seguir para as piscinas do hotel eu acessei o Blog VenezaPedraSoltas e no mural de racados encontrei a seguinte mensagem escrita por Jarbas Patriota Malta (Filho de seu Nezinho Malta (in memoriam):
Lamento e peço pêsames à família de Sebastião Rogério da Silva (Tota), com quem tive a oportunidade de conviver por muitos anos, quando ele ajudava no comércio que meu pai tinha aí em Itapetim. Essa família sempre esteve presente nas nossas vidas(minha e de meu pai), pois sua mãe (Quitéria), já ajudava minha avó (Cupertina) a criar meu pai e meus tios Zé Malta e Pedro Malta, os quais foram criados quase que no mesmo teto. Lá se vai mais um pedaço da história de Itapetim. Que Deus conforte a família.
De fato, " Lá se vai mais um pedaço da história de Itapetim", pensei comigo mesma.
E no mesmo mural gravei também a minha mensagem:

Fico triste em saber do falecimento do meu amigo Tota. Desde criança, na Loja de seu Nezinho Malta, a figura de Tota era uma simpatia que nos dava prazer de freqüentar aquele estabelecimento. Agora o seu desaparecimento deixa em nossos corações uma eterna saudade dos nossos grandes amigos de família: Seu Nezinho e Tota que fazem parte para sempre dos nossos arquivos de memória de conterrâneos tão queridos! Minha solidariedade à família enlutada.
Eu não sabia que o nome de Tota era Sebastião Rogério. Mas agora eu não preciso mais saber, porque foi "Tota" quem me viu criança, adolescente, mãe e avó. Era em "Tota" que Quiterinha (sua mãe) falava com tanto amor no coração. Seus filhos são: Geni de Tota; Gilton de Tota, Gisélia de Tota, Pucunina de Tota e, sua esposa, Gilda de de Tota.
A lembrança que vou guardar para sempre no meu coração tem um nome amigo, humano, cordial e simples: TOTA. Simples como ele sempre foi, simples e importante como a própria canção de Roberto Carlos nos fala:

 " Piedade para aqueles que pensam que a felicidade é a riqueza e o poder, ser feliz na verdade é ter Jesus dentro do coração".

Ter gozado da sua amizade foi um grande privilégio, e continuará a ser através da sua família, cujo sentimento você soube repassar. Hoje sou madrinha de batismo da sua neta Elizângela, filha de Gilton e Neci, estreitando sobremaneira os nossos laços de amizade.
A todos da família, minha solidariedade e a certeza de que TOTA não se tira do coração, ele virou saudade!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

NO NORDESTE É DIFERENTE, É ASSIM QUE A GENTE FALA

Ismael Gaião - Condado/PE - Brasil - 49 anos


Gente, o que encontrei postado no Recanto das Letras, de autoria desse poeta, vocês nem imaginam!

 Esse poeta maravilhoso, pede, com humildade, que os blogueiros se dignem a dar os devidos crédito às suas obras litteárias. Concordo plenamente. É ridículo apoderar-se do que não lhe pertence, ou não mencionar o autor, conferido-lhe os devidos créditos.

O que encontrei por lá, confesso, dá vontade de copiar tudo, porque tudo nos deixa excitados pela beleza com que ele escreve. Repasso para vocês " è Assim que gente fala",  acessem o "Recanto das Letras" e leiam tudo desse poeta extraordinário.

Ismael é de Condado, mas nossas raízes têm tronco em Portugal e tentáculos por todo Brasil, especialmente no Nordeste onde a litteratura de cordel é coroada.

É ASSIM QUE A GENTE FALA 

"No Brasil pra se expressar
Há diferenciação
Porque cada região
Tem seu jeito de falar
O Nordeste é excelente
Tem um jeito diferente
Que a outro não se iguala
Alguém chato é Abusado
Se quebrou, Tá Enguiçado
É assim que a gente fala

Uma ferida é Pereba
Homem alto é Galalau
Ou então é Varapau
E coisa ruim é Peba
Cisco no olho é Argueiro
O sovina é Pirangueiro
Enguiçar é Dar o Prego
Fofoca aqui é Fuxico
Desistir, Pedir Penico
Lugar longe é Caxaprego

Ladainha é Lengalenga
E um estouro é Pipoco
Qualquer botão é Pitoco
E confusão é Arenga
Fantasma é Alma Penada
Uma conversa fiada
Por aqui é Leriado
Palavrão é Nome Feio
Agonia é Aperreio
E metido é Amostrado

O nosso palavreado
Não se pode ignorar
Pois ele é peculiar
É bonito, é Arretado
E é nosso dialeto
Sendo assim, está correto
Dizer que esperma é Gala
É feio pra muita gente
Mas não é incoerente
É assim que a gente fala

Você pode estranhar
Mas ele não tem defeito
Aqui bala é Confeito
Rir de alguém é Mangar
Mexer em algo é Bulir
Paquerar é Se Inxirir
E correr é Dar Carreira
Qualquer coisa torta é Troncha
Marca de pancada é Roncha
E a caxumba é Papeira

Longe é o Fim do Mundo
E garganta aqui é Goela
Veja que a língua é bela
E nessa língua eu vou fundo
Tentar muito é Pelejar
Apertar é Acochar
Homem rico é Estribado
Se for muito parecido
Diz-se Cagado e Cuspido
E uma fofoca é Babado

Desconfiado é Cabreiro
Travessura é Presepada
Uma cuspida é Goipada
Frente de casa é Terreiro
Dar volta é Arrudiar
Confessar, Desembuchar
Quem trai alguém, Apunhala
Distraído é Aluado
Quem está mal, Tá Lascado
É assim que a gente fala

Aqui valer é Vogar
E quem não paga é Xexeiro
Quem dá furo é Fuleiro
E parir é Descansar
Um rastro é Pisunhada
A buchuda é Amojada
E pão-duro é Amarrado
Verme no bucho é Lombriga
Com raiva Tá Com a Bixiga
E com medo é Acuado

Tocar em algo é Triscar
O último é Derradeiro
E para trocar dinheiro
Nós falamos Destrocar
Tudo que é bom é Massa
O Policial é Praça
Pessoa esperta é Danada
Vitamina dá Sustança
A barriga aqui é Pança
E porrada é Cipoada

Alguém sortudo é Cagado
Capotagem é Cangapé
O mendigo é Esmolé
Quem tem pressa é Avexado
A sandália é Percata
Uma correia, Arriata
Sem ter filho é Gala Rala
O cascudo é Cocorote
E o folgado é Folote
É assim que a gente fala

Perdeu a cor é Bufento
Se alguém dá liberdade
Pra entrar na intimidade
Dizemos Dar Cabimento
Varrer aqui é Barrer
Se a calcinha aparecer
Mostra a Polpa da Bunda
Mulher feia é Canhão
Neco é pra negação
Nas costas, é na Cacunda

Palhaçada é Marmota
Tá doido é Tá Variando
Mas a gente conversando
Fala assim e nem nota
Cabra chato é Cabuloso
Insistente é Pegajoso
Remédio aqui é Meisinha
Chateado é Emburrado
E quando tá Invocado
Dizemos Tá Com a Murrinha

Não concordo, é Pois Sim
Tô às ordens é Pois Não
Beco ao lado é Oitão
A corrente é Trancilim
Ou Volta, sem o pingente
Uma surpresa é, Oxente!,
Quem abre o olho Arregala
Vou Chegando, é pra sair
Torcer o pé, Desmintir
É assim que a gente fala

A cachaça é Meropéia
Tá triste é Acabrunhado
O bobo é Apombalhado
Sem qualidade é Borréia
A árvore é Pé de Pau
Caprichar é Dar o Grau
Mercado é Venda ou Bodega
Quem olha tá Espiando
Ou então, Tá Curiando
E quem namora Chumbrega

Coceira na pele é Xanha
E molho de carne é Graxa
Uma pelada é um Racha
Onde se perde ou se ganha
Defecar se chama Obrar
Ou simplesmente Cagar
Sem juízo é Abilolado
Ou tem o Miolo Mole
Sanfona também é Fole
E com raiva é Infezado

Estilingue é Balieira
Uma prostituta é Quenga
Cabra medroso é Molenga
Um baba ovo é Chaleira
Opinar é Dar Pitaco
Axilas é Suvaco
E cabra ruim é Mala
Atrás da nuca é Cangote
Adolescente é Frangote
É assim que a gente fala

Lugar longe aqui é Brenha
Conversa besta, Arisia
Venha, ande, é Avia
Fofoca é também Resenha
O dado aqui é Bozó
Um grande amor é Xodó
Demorar muito é Custar
De pernas tortas é Zambeta
Morre, Bate a Caçuleta
Ficar cheirando é Fungar

A clavícula aqui é Pá
Um mal-estar é Gastura
Um vento bom é Frescura
Ali, se diz, Acolá
Um sujeito inteligente
Muito feio ou valente
É o Cão Chupando Manga
Um companheiro é Pareia
Depende é Aí Vareia
Tic nervoso é Munganga

Colar prova é Filar
Brigar é Sair no Braço
Nosso lombo é Ispinhaço
Faltar aula é Gazear
Quem fala alto ou grita
Pra gente aqui é Gasguita
Quem faz pacote, Embala
Enrugado é Ingilhado
Com dor no corpo, Ingembrado
É assim que a gente fala

Um afago é Alisado
Um monte de gente é Ruma
Pra perguntar como, é Cuma
E bicho gordo é Cevado
A calça curta é Coronha
Um cabra leso é Pamonha
E manha aqui é Pantim
Coisa velha é Cacareco
O copo aqui é Caneco
E coisa pouca é Tiquim

Mulher desqualificada
Chamamos de Lambisgóia
Tudo que sobra, é Bóia
E muita gente é Cambada
O nariz aqui é Venta
A polenta é Quarenta
Mandar correr é Acunha
Ter um azar é Quizila
A bola de gude é Bila
Sofrer de amor, Roer Unha

Aprendi desde pivete
Que homem franzino é Xôxo
Quem é medroso é um Frouxo
E comprimido é Cachete
Sujeira em olho é Remela
Quem não tem dente é Banguela
Quem fala muito e não cala
Aqui se chama Matraca
Cheiro de suor, Inhaca
É assim que a gente fala

Pra dizer ponto final
A gente só diz: E Priu
Pra chamar é Dando Siu
Sem falar, Fica de Mal
Separar é Apartá
Desviar é Ataiá
E pra desmentir é Nego
Quem está desnorteado
Aqui se diz Ariado
E complicado é Nó Cego
Coisa fácil é Fichinha

Dose de cana é Lapada
Empurrão é Dá Peitada
E o banheiro é Casinha
Tudo pequeno é Cotoco
Vigi! Quer dizer, por pouco
Desde o tempo da senzala
Nessa terra nordestina
Seu menino, essa menina!
É assim que a gente fala.”
NÃO DEIXE DE VISITAR: "Recanto das Letras"

Poste também o seu comentário, diga a esse grande poeta o que você achou do que leu por lá.
Eu já disse, confira.

sábado, 22 de janeiro de 2011

O QUE O VENTO ME TROUXE



Achei que criar raízes seria só no chão

Mas descobri que se criam raízes no coração.

E que de tão frondosa a árvore plantada

Não há nada que a faça ir ao chão.

Mesmo que a árvore tenha erva daninha

Não tenho mais como a ver derrubada.

Aqui brotou, cresceu e floresceu

E nunca mais se desprendeu.

E o amor que aqui foi plantado

Com flores e frutos desabrochou.

É tão forte e lindo que se enraizou

E para sempre comigo ficou.

Achei que criar raízes seria só no chão

Mas descobri que se criam raízes

Também no coração.


(Jorge Luiz Vargas)
 
 
Gaúcha, nos pampas nascida.
 Um grande sonho acalentei
 Morar numa ilha encantada
 Cheia de bruxas e fadas.
 Nessa terra cheia de graça
 Onde se juntam todas as raças,
Minha ilha lança ao poente
 O azul espelhado da lagoa,
O verde silêncio das montanhas,
O rumorejar de um mar azul
 Que beija apaixonado a areia da
 Minha ilha de renda poética.
Não importa se há sol ou chuva,
 A mágica ilha é sempre azul,
Fica gravada na alma e
Quem aqui vem sempre vai voltar,
Para descobrir novos caminhos,
 Novos destinos, pois
Esta magia nunca irá acabar.
 
 
 
"TUDO QUE CHEGA, CHEGA SEMPRE POR ALGUMA RAZÃO" (Fernando Pessoa).
 
Descobri UM VENTO NA ILHA por acaso, mas não será mais por acaso que voltarei todas as vezes que o vento soprar , pois o que ele me traz é pura beleza e emoção. Não deixe de conferir, quero compartilhar com você todas as maravilhas que vi por lá. Beijos fraternos.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

HOJE É O ANIVERSÁRIO DE CARLINDA!


Amar a Natureza é uma das mais belas formas de amar a Deus. Quem ama a Deus, sobre todas as coisas, ama ao próximo como a si mesmo. A Natureza é vida, e o que é a vida senão a própria manifestação de Deus? Deus também se manifesta através dos nossos sentimentos, aqueles que guardamos no fundo dos nossos corações. E não é o coração o orgão a quem atribuimos ser a Casa de Deus?
Quando cometemos insensatez, desatinos e qualquer espécie de mesquinhez, logo, ouvimos dizer que a causa é falta de Deus no coração.
Mas Deus é misericordioso, basta-nos o arrependimento sincero do que lhe causou desapontamento que Ele volta à nossa morada.

Mas por que estou abordando esse assunto que, à primeira vista, nada tem a ver com o motivo desta postagem de hoje?
É porque ontem, dia 3, dia do aniversário da minha filha Karla, eu li uma postagem no Blog de Paulo Patriota, cujo título era "A LUZ DO CORPO SÃO OS OLHOS", e lá está escrito:
"... Enfim, devemos a uma amiga transcendental (talvez ela não saiba o volume de sua importância no nosso ciclo atual da mansidão) toda reorientação íntima de hoje que nos anima, ela, que ensinou-nos a consultar o coração sempre, porque ele é a ressonância da entidade unificadora que nos habita. Amiga que é um perfume jamais votalizado, cujo aroma nunca dissipar-se-á do seu jardim humano. Ela, a que nomeamos amiga maternal porque é mãe, e só as mães amam incondicionalmente sem renúncia." 
Minutos depois recebi um e-mail de Paulo com a seguinte mensagem:
"Lusa, prima querida, só depois de postar minha croniqueta de hoje vim até aqui. Foi dedicada à Você, viu? E olha como terminei: "E só as mães amam incondicionalmente com renúncia".
Bendito o ventre que fez desabrochar as jóias do teu escrínio materno.
Um terno beijo."
Motivada por essa dedicatória do nosso amigo Paulo, eu não encontraria nada mais apropriado para homenagear a nossa amiga Carlinda, neste dia do seu aniversário, senão a transcrição (que guardei no meu coração) do que Paulo escreveu para ela em um comentário à postagem que fiz "CORRE MEL EM PLENO RIACHO SALGADO", numa alusão ao Sítio em que ela nasceu.

E encorajada por essa mensagem que li no mural do VenezaPedraSoltas (Blog de Naide) sobre a postagem PARABÉNS, CARLINDA NUNES, FELIZ ANIVERSÁRIO! :
"Parabéns, Carlinda, poetisa das Pedras Soltas, feliz aniversário! Homenagem mais que merecida, justíssima,encaixada à tua magnificência humana. Congratulo a ti também, Naide, pelo régio preito cujo desfecho emociona e a imagem, idem. Beijos a ambas.
Paulo Patriota"
Em agradecimento ao meu amigo Paulo, por atribuir-me uma parcela de contribuição para a sua atual reorientação íntima, estimulando-o a pensar com o coração, é que republico o seu comentário feito por ocasião do lançamento do Blog de Carlinda  CORRE MEL EM PLENO RIACHO SALGADO! , e dessa feita ficará gravado para sempre, porque no coração não existe a tecla "delete" para o bem que fazemos aos nossos irmãos.


 Eis  o que Paulo escreveu com o coração, sobre Carlinda,  que nunca  pude deletar:
"Não sei nem como começar...

Lusa é a poetisa da prosa escrita; Carlinda fez com que suas décimas (hosanas ritmadas), que as sei de cor um punhado, se transformassem na sinfonia de um disacúsico.

O estilo é o ser. Então, na mais mínima oração, a alma se revela em tríplice harmonia, santíssima trindade espiritual que escalona o degrau que dá ao portal do Paraíso almático que se revela em poucas linhas ou falas.
Já a intitulei de Majestade do Pajeú, mas achei pouco; então a defini assim: Sua Excelência, a Sertanejidade.
Todas as minhas croniquetas relativas ao Sertão foram inspiradas nela - e continuarão sendo.
Quando a filha de Dona Alzira conversa, desce sobre todos seu véu interior, como uma brilhante núncia de um flor de mandacarú.
Daqui por diante, mais omisso eu seria no meu narrar - e mais confuso ficaria do que balbuciar de infante - em tentar defini-la,posto que ela, sendo um ente singular, é plural.
Conheci-a em 1986 e tenho tudo o que então ela me presenteou, sendo ela um pedaço de mamãe, pois foram amigas de infância e são contemporâneas.
Carlinda, rouxinol que canta o princípio, o meio e o fim,desculpai o que te pude ferir.
Faze do meu erro brumoso uma rubra lua do perdão, porque em mim invade velha saudade de ti.
Obrigado, Lusa, teu RAÍZES congrega para que redoure-mo-nos em força, em graça, em vida, em luz.

Beijos para ambas.

Quando Carlinda me convidou para um passeio histórico e sentimental até à Fazenda São Pedro, fiz questão de prová-la que sei inúmeras décimas da mesma, dizendo, em tom de embolada, uma quando subíamos a ladeira da Serrinha:

"Cachoeira dos Vicentes
Da cana do doce fino
Na seca ou nas enxentes
Teu solo é quase divino
Vizinha da Boa Vista

Lá de Seu Pedro Batista
E do Caramucuqui
Do Recanto e da Serrinha
Onde o cantar da rolinha
É diferente daqui..."

Uma vez,quando faltou energia (mamãe já estava doente),no mês junino,estávamos ela,Pai Zezo,Dona Hilda,Titia Vila,Titia Graça,Bamba e Olavo lá na calçada de Vovó e eu disse,no tom exato,estas três da Majestade:

"Sou filha de Itapetim
Cidade das Pedras Soltas
Que dos Sertões é jardim
O lirismo cai em gotas
Envolvendo a típica aragem
E dando vida à paisagem
Daquele árido rincão
Onde a torre imponente
Da igreja ali presente
Se faz ornamentação!"

"Saudade de Itapetim
Do cheiro do marmeleiro
Das vassouras de alecrim
Das flores do cajueiro
No inverno é um jardim
Na seca é um tabuleiro
Que não nasce nem capim
Mas é um grande celeiro
De cactos,pedras,enfim
Que ornamentam o Cruzeiro!"

"Saudade lá dos sítios
Das castanhas de cajú
Das bolachas das Emídios
Das cocadas do umbú
Dos causos,contos e piadas
Do som daquelas risadas
Na casa de Dona Juva
Dos bolinhos de Teodora
Da casa de mãe agora
Até do cheiro da chuva..."

Pai Zezo atento; Titia Vila, emotiva por demais, muito pregada às raízes, com os olhos rasos d'água."

3 de dezembro de 2010 17:27


A expressão de Carlinda, ao contemplar a natureza, parece contemplar a própria Essência de Deus : O amor. Se fomos criados para amar, e atender aos apelos do nosso coração, é o que estou fazendo agora, estou devolvendo para Carlinda, como presente de aniversário,  o amor que Paulo extravasou no que acabo de trancrever.

4 Vozes - Essência de Deus



O mundo há de passar e toda profecia
Os dons, as línguas e tudo mais que existir
Porém como aquele que foi
Hoje é e pra sempre há de ser
O amor é a essência de Deus
E pra sempre também vai viver

Bondoso e sem rancor, fiel e consciente
Humilde e sofredor, espera tão somente
Justo e verdadeiro, tudo suporta e tudo crê
Tão puro e perfeito é o amor
Não busca interesse ou favor
Mistério, expressão, vida e luz do Senhor

Se eu pudesse saber destinos ou futuros
Fazer mover as montanhas com minha fé
Se eu pudesse falar qualquer língua
Em qualquer lugar
E desse os meus bens ao mais pobre
Ou morresse em favor de alguém

Se não tivesse amor, de nada valeria
Se não tivesse amor, proveito algum teria
Fria e sem razão a vida, então, passaria
Vazio seria o falar
Um sino que insiste a tocar
Se dentro de mim não valesse o amor



"Ao ver multidões, Jesus encheu-se de compaixão por elas, porque estavam cansadas e abatidas"
(M, 9, 36)


Dedico esta postagem a Carlinda, pela passagem do seu aniversário e, a Paulo Patriota por suas inigualáveis definições do que ela representa para todos nós da comunidade virtual, e sobretudo pelo que ela representa na vida real de cada um de nós que privamos da sua amizade.
Digitada em computador de única tecla, portanto, impossível de deletar, protegida contra ataques de virus, porque saiu de dentro do coração, tem " aroma que nunca dissipar-se-á do meu jardim humano", em cujo espaço vocês dois têm lugar definitivo.
Hoje tem endereço no Sul da Bahia, onde Carlinda veraneia com sua família, nesta bela casa de praia.
Feliz Aniversário, minha amiga, que Deus conserve tua presença entre nós por longos anos!


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

NOTA DE FALECIMENTO: MORRE O VICE-PREFEITO DE ITAPETIM



Faleceu hoje, o Vice Prefeito de Itapetim, João Arcanjo de Sousa (João Galego).
João tem laços de consaguinidade, parente e amigo do nosso pai, filho de Vital de Souza Leite e de Dona Suzana Arcanjo dos Santos, casado com a nossa estimada Nevinha, a qual dirijo o nosso pesar pelo inesperado falecimento do nosso amigo João Galego.

Vital de Souza Leite, seu pai, (in memoriam) é considerado um dos maiores poetas da região, deixou como herança para todos os filhos o dom de suas rimas.
Seus irmãos, Zezito (in memoriam) Jacinto e Adalberto têm uma gama de poemas que encantam pela beleza com que foram feitos.
João, também poeta, homem simples, de pouco falar, um grande amigo que nos deixa muitas saudades.



Pinçado do Blog Itapetim.Net (Bernardo Garapa)

Que Deus lhe receba na eternidade com muita luz, nossas condolências para toda Família!

MENSAGEM ENVIADA A NEVINHA (esposa de João)


Minha querida amiga Nevinha, 

Este é um momento que gostaria de não estar escrevendo para vocês, mas esta é a vontade de Deus.

Perdemos um grande amigo! Itapetim perdeu um grande homem!
Este homem que entrou na política para ajudar aos mais carentes, foi surpreendido prematuramente, frustrando a esperança que o povo nele depositou.
Infelizmente, não podemos contrariar a vontade de Deus, poderemos ficar insatisfeitos e, pela fé, aceitar os seu desígnios.

O povo da minha terra, como vocês, perdeu um PAI, um homem sereno, manso, humano, ético, conciliador por natureza, o qual dedicou sua vida à sua família e aos seus conterrâneos.

Vai ser difícil, para todos nós, entrar naquela lanchonete e não ver o nosso querido JOÃO GALEGO, sempre atento a tudo e a todos, interessado em todos os problemas dos seu amigos, procurando sempre uma maneira de ajudar ao seu semelhante.

Vem à minha lembrança a época da minha campanha para prefeito em 2000, poucos sabem, mas ele foi fundamental na definição do meu nome, quando na pré-campanha tinha três candidatos do mesmo grupo, ele interveio para que fosse o meu nome escolhido; a partir daí se incorporou à minha campanha como se fosse a dele, guardei isso no meu coração e sempre o tive e o terei, como um grande amigo e camarada.
Guardarei comigo a lembrança de sua figura humana, de sua simplicidade.

Que os laços de amizade que nos uniram, continuem como elos entre nós, estendendo para os nossos filhos o sentimento fraterno que sempre permeou o nosso convívio. Transmita aos meninos, seus filhos, e aos seus familiares de um modo geral, os nossos sinceros sentimentos, que DEUS lhe dê forças para suportar tamanha dor. 
                                
Recife, 30 de dezembro de 2010

 Dos Amigos Carlos, Lusa e filhos.

sábado, 18 de dezembro de 2010