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terça-feira, 31 de agosto de 2010

HOJE É O ANIVERSÁRIO DE DHOTTA!



No meu "Trem da Vida" os amigos são sempre bem-vindos. Ao narrar o meu percurso humano e social, nesta maravilhosa viagem, a bordo do "trem da vida", eu vou juntando lembranças enraizadas na memória e no coração, vou contando minhas histórias, homenageando meus amigos, velhos ou novos, mortos ou vivos, que me deixaram marcas indeléveis, pela amizade e atenção que deles recebi ou ainda recebo.

Marcos Dhotha é o meu homenageado de hoje. Meu amigo, meu conterrâneo, assíduo companheiro desta viagem, de cuja exclamação, ao adentrar no vagão dos "Piancós", jamais esquecerei.
Tocou tão fundo em minh'alma que a transformei em marca registrada dos meu Blog Raízes e dos demais integrados a ele.

"Passear por aqui é tropeçar na SAUDADE, esbarrar no AMOR e encontrar VIDA!"



E tropeçando na SAUDADE formatei este vídeo, com imagens reveladoras das origens do meu amigo Dhotta, tão sertanejas quanto as minhas que, de geração à geração, ao longo de tantos anos, vêm multiplicando essa amizade, tornando nossos laços cada vez mais fortes.

Amigo do peito da minha irmã caçula, Rita de Cássia, Dhotta caiu nas graças da minha mãe, era acolhido na nossa casa com muito afeto.

Companheiro de viagem, no meu "Trem da Vida", sempre compartilhando das minhas SAUDADES, Dhotta escreveu um comentário para a postagem que fiz no dia 12 de setembro, dia em que, se viva fosse, seria o aniversário da minha mãe:



Todas as vezes que entro no “RAÍZES” tenho a sensação de que apenas nos despedimos do tempo e nunca da vida. Geeente!! Como tudo isso aqui pulsa. É o AMOR, a SAUDADE e a VIDA entrelaçados num único lugar. Qualquer pessoa de coração bem formado vai se sentir acolhido, em casa. É impossível olhar para o amor que sentes por tua família e não lembrar que também temos uma... E as famílias florescem sempre, é a primavera da vida. Nós é que envelhecemos ao sabor do outono dos “antigamentes”. E que delícia recordar que ainda podemos ser felizes com as lembranças e o legado das nossas Raízes. E saber que somos também sobreviventes, a partir de um tempo, onde nossos pais não nos davam o que queríamos, mas sim o que eles podiam nos dar. E o que é melhor, sem culpas posteriores. Eita tempo bom danado! Onde nossas casas possuíam quintais, árvores, flores e animais... E que consertar a rodinha de um carinho quebrado ou achar o braço perdido de uma boneca, era a coisa mais importante do mundo...

Em resumo, passear por aqui é tropeçar na SAUDADE, esbarrar no AMOR e encontrar VIDA....

E hoje ao abrir a página do Raízes, vejo essa “Ode ao amor materno”... Somente Rita de Cássia sabe o quanto sou suspeito para falar de Dona Rita. Mas não quero lamentar sua descida do “Trem da Vida”, uma vez que o pouco tempo que convivi com ela, eu sequer escutei um lamento. Mas pude sentir a extrema compreensão de uma mãe. E isso me bastou para que eu pudesse amá-la da mesma forma que amava a minha. E por quantas noites ao entrar na casa de vocês, fui acolhido como a um filho. Tratado “a pão-de-ló”, era assim que eu me sentia. Passava o dia inteiro fazendo regime para quando chegar à noite, quebrar. Dona Rita mandava logo meu regime pro “bebeléu” e calava minha fome com um pedaço de bolo e doce de mamão. Ela humilhava toda e qualquer tentativa minha de fazer regime. Impossível entrar naquela cozinha e não sentir o cheiro de pão, café e manteiga...

Eu queria deixar apenas esse registro para deleite de minhas lembranças e dizer a ela: Dona Rita ! A senhora tinha razão... Nunca consegui terminar de fazer um regime na minha vida. Mas eu continuo o Dhotta “glutão”, sempre a espera de um pedaço de bolo, com bastante doce de mamão...(rs!) Até rimou. E para completar: Te tenho para sempre eternizada em minha mente e em meu coração. Um beijo saudoso.
14/09/09 12:44

Meu amigo, o que você deixou registrado não foi apenas para deleite de suas lembranças, foi sobretudo uma consagração da nossa amizade, você, com suas palavras, comparando o amor que sentia pela minha mãe com aquele que sente para com a sua, selou o nosso amor fraterno de tal modo que jamais o tiraremos do coração!

Acontece que no "Trem da vida" histórias é o que não nos faltam para contar. Nosso trem é um reduto de surpresas. Não respeitamos sequer a ordem cronológica dos fatos, o pensamento vagueia ziguezagueando entre o passado, o presente e o futuro.
O passado serve-me de lições, lembra-me momentos felizes, mas lembra-me também episódios desanimadores, mas que foram superados para dar lugar a uma vida vivida sem fuga e sem dramatização. Serve-me de raízes fincadas bem no fundo do meu coração, para que nunca me esqueça que o meu presente deve muito a maneira como no  passado fizeram o meu começo, fortalecendo-me para que saiba fazer o meu futuro.
E neste zizague no tempo, certo dia lembrei-me de que o pai de Dhotha, Toinho da Penha (in memoriam), havia salvo minha vida quando, ainda criança, numa noite de tempestade, lá na minha terra natal, caíra esparramada sobre o barro, bem ao lado da Casa Penha, a casa comercial dos Penhas.

De posse dessas lembranças, eu as repassei, para os companheiros de viagem, através da postagem do dia 14 de janeiro de 2010, no Blog "Nossa Infância e Adolescência" integrado ao "Raízes" cujo título é  Entre Raios e Trovões! .
Escrevera em detalhes  aquelas cenas guardadas no baú das minhas memórias, descrevera com tanta fidedignidade que, por vezes, vi a claridade daqueles relâmpagos, ouvi o estrondo do trovão e senti na pele as mãos protetoras do pai de Dhotha que, freneticamente, massegeava meus pulsos na tentativa de reanimar-me.

Quando Dhotta viu a postagem, chamou Bernadete (a mãe dele), e unidos, emocionados pela evocação de um passado, onde o pai e o marido, respectivamente, havia sido o herói que me salvara, escreveram-me o seguinte comentário:

O Tempo parou por aqui... Pronto! Não mais existe tempo por cá. Tempo aqui é coisa que se conta – APENAS - através da memória e não dos calendários. Tempo que se revela nas lembranças, vivências e saudades (no tempo presente...) E nós vivemos nesse tempo da memória. Falo de uma Memória Saudável! Dos risos insanos e das lágrimas não contidas... Ah! Tempos idos, tempo perdido, velhos tempos, tempos de outrora e tempos de nunca mais... Tempo da alma e do tempo que falta... É o passar do tempo meu bem! Mas um passar do tempo no tempo de Hoje. Tempo de passado presente... TEMPO DE RAÍZES !!! Raízes de um passado forte. Que sobrevive e que se renova naqueles que aqui ficam pra contar histórias... Histórias do tempo, mas contadas com o coração do agora. Cujas ramificações – indiscutivelmente - são partes de nós, da história de um povo. Coisa viva!!! De dentro da gente. E que sutilmente desliza por entre raízes pulsantes. Esse espaço aqui é das entranhas mesmo! Pois a cada raiz que se finca ao correr do tempo, se constrói o hoje, o nós, o somos. O tempo aqui transcende; O tempo aqui se transforma; O tempo aqui nos torna inteiros, alicerçados, fortes... E para quem sabe olhar com o coração, o tempo aqui é amor. Onde os momentos felizes se transformam em relicários antigos, e as tristezas são contadas como batalhas vencidas com coragem e fé. Somos sobreviventes, é verdade. Porque a vida continua como tem que ser. A nossa memória é que nos privilegia. Onde nosso tempo não corre como nos calendários que estipulam datas, meses e anos... Nosso tempo é contado a partir do imenso amor que sentimos – na memória presente – por nossas Raízes. Temos muito em comum, bem sabes... Toínhos, Raízes e Catrevagens. E as histórias de tudo aquilo que sentimos e vivenciamos nunca serão esquecidas, porque o coração lembra e conta tais histórias como “manchetes do dia”. Manchetes que a alma recorta e guarda para lembrar e sentir sempre. Que as tuas, as nossas e as RAÍZES de todo nosso povo sejam sempre abençoados. E que tu possas seguir sempre com esse olhar limpo, com essa sabedoria e com esse orgulho pelo que és e representas para todos nós. Carlos que me perdoe, desculpe-me e me entenda... Mas eu te ADORO AMIGA!
Obrigado por esse resgate tão lindo. Minha mãe está aqui com os olhos brilhando... Por isso a Minha Crônica do dia é sua.

À esquerda Bernadete (minha irmã) e à direita Bernadete (mãe de Dhotta)

E aos pés do teu comentário, àquela minha postagem, eu escrevi:
"Meu amigo, fica difícil agradecer o que escreveste aqui. Primeiro porque tu escreves muito bem, segundo porque essa crônica não merece ficar escondida como um simples comentário. Hei de arranjar tempo e capacidade para colocá-la em evidência. O mundo precisa saber os motivos pelos quais tu e tua família são "raízes do meu coração”. Não quero esgotar aqui o que gostaria de te dizer, deixo para tentar verbalizar noutra oportunidade, em um dia daqueles em que as palavras são escritas pelas mãos, porém são consideradas inspirações divinas. Um beijo no teu coração! "
Hoje cumpro o que prometi. Se não consegui inspiração divina para as palavras, pelo menos as escrevo no dia 31 de agosto, dia em que o próprio Deus sentiu-se inspirado em te trazer ao mundo, presenteando a tua família e aos teus amigos com o teu nascimento.

Nós temos raízes fincadas no mesmo chão, nascemos e passamos boa parte de nossas vidas apreciando a mesma paisagem, a Praça de São Pedro, cuja edificação foi uma iniciativa do meu saudosos pai, à época em que foi prefeito da nossa cidade.

Hoje, olhando para a mesma praça, você pode se orgulhar do seu belo projeto de revitalização, cujo resultado revela a competência do seu irmão, o arquiteto Camilo Costa, que lhe evolveu a beleza perdida pela destruição e descaso de outras administrações.

Nós temos origens semelhantes. Nossos antepassados viveram da produção agropastoril, os meus, do Sitio Maniçobas, os teus, do Sítio Penha. Além do que, através dos seus estabelecimentos comerciais, seguiram o mesmo ramo. Compravam e vendiam, em grosso e a varejo, alavancavam a economia do município. Davam empregos, distribuiam renda, ganhavam dinheiro, ajudavam aos pobres, faziam política, disputavam o mercado, importavam e exportavam mercadorias e deixaram para nós um exemplo de homens de bem que fizeram do trabalho honrado a maneira mais correta de subir na vida.
Por tudo isto, orgulho-me das minhas raízes e trago as tuas no meu coração.


Na política, fomos adversários, os Penhas eram de Inácio Mariano Valadares, udenistas (UDN).
Os Piancós eram de Walfredo Paulino de Siqueira, pessedistas (PSD), porém, até onde eu sei, a preferência partidária jamais foi motivo para abalar a amizade e o respeito que sempre existiu entre nossas famílias.
Seu Tio, Luiz da Penha, foi um dos nossos melhores amigos, no que pese ter concorrido juntamente com meu pai, na chapa majoritária para prefeito de Itapetim, e, naquela ocasião, apesar de candidato derrotado, foi o primeiro a chegar na nossa casa para comemorar a nossa vitória.



Sem se falar da grande amizade que meus pais nutriam pelos seus avós maternos, Seu Albino e Dona Maria.
A nossa afinidade com Cléria e Adalberto Confessor (seu esposo), com Danda, Udo, que foi minha colega de ginásio, minha e de Beta minha irmã mais velha, em São José do Egito).

E o que dizer sobre a Drª Socorro? Para nós será sempre "Colinha de Toinho e Bernadete", pois que de tão meiga e delicada, continuará para sempre a ser aquela menina que veio, sozinha, à capital do estado para se formar em medicina,  tornando-se presença constante em nossa casa, por intermédio da nossa prima, Ivani, sua grande amiga de infância, que também veio do interior para estudar, e morava conosco.
A amizade cresceu de forma que, posteriormente, tivemos a honra de ser seus padrinhos de casamento.
Dona Maria, sua avó, foi uma das grandes amigas de Dona Anita Rego (minha sogra), tanto é que foi convidada a posar junto com a família por ocasião da inauguração da Praça Aderbal Rego.



Por tudo isto, Dhotta, em todas essas lembranças, após tantos tropeços na SAUDADE, eu  esbarro no AMOR fraterno que nos une à sua família, e por tudo isto, Dhotta, eu aproveito para te desejar, no dia de hoje, dia do teu aniversário, muitos anos de VIDA.

E por tudo isto, eu te dedico a canção de Roberto Carlos: "Eu quero ter hum milhão de amigos e bem mais forte poder cantar ..."



São coisas como estas que a gente não tira do coração.

Parabéns, amigo, obrigada por todas as atenções que de ti recebo.

P.S.

Se você recebeu esta postagem por e-mail, por favor não responda, clique em "Postado por Lusa Vilar em RAÍZES DO CORAÇÃO" para visualizá-la na íntegra. Feito isto, deixe seu comentário (se desejar).

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

ADEUS MINHA AMIGA DJANIRA!


Djanira Paes da Silva, Ex-Primeira Dama de Itapetim - PE

 De luto está Itapetim. De luto está o coração das filhas de Toinho e Rita.
Nesta casa, na casa de Toinho e Rita, a palavra "mãe " saia da boca de Telma e Tânia ( suas filhas) com o mesmo sabor que saia da nossa boca quando nos referíamos a Dona Rita.
Djanira nunca vinha à nossa casa, nossa mãe também não frequentava a dela. Mas as duas tinham um pacto de amizade, um bem-querer tão forte, que ultrapassava distâncias e ausências físicas. 
Através dos filhos elas se mantinham fiéis às suas amizades, porque comungavam do adágio que diz: "Quem a boca do meu filho beija, a minha adoça". E a presença dos filhos de Djanira, na nossa casa, fortalecia a amizade que nossa mãe lhe devotava, em vice-versa.
Hoje elas se encontraram na eternidade e certamente falaram sobre nós, unir-se-ão para fortalecer a vigília em favor da nossa proteção.
Vai, Djanira, vai com Deus, e diz a Dona Rita  que nós ficamos com saudades de você. Diz a Dona Rita que ela ainda hoje está mais viva do nunca em nossos corações, porque têm coisas nesta vida que dele jamais sairão, e amor de mãe é uma delas.
Adeus, minha amiga, até um dia na eternidade!

domingo, 1 de agosto de 2010

NOVOS PASSAGEIROS A BORDO - ESTAÇÃO BAHIA!


("Árvore de Amigos" recebido por e-mail, enviado por Pati Araújo)

No dia 02 de dezembro de 2009, ao brir o meu Blog Raízes eu me deparei com o seguinte comentário para uma das minhas postagens:

Oi Lusa,
Encontrei seu blog no  Caríssimas Catrevagens, o Blog de Dhotta,  e digo desde já: é um encanto tudo por aqui, o amor que você colocou no blog é evidente...um amor que vai desde seus pais até os seus netos lindos, parabéns!
Seu blog é de um saudosismo sensível que encanta, as fotos maravilhosas, a sua forma de escrever...Voltarei mais vezes para ler com calma todo o conteúdo desse báu de histórias.
Abraço forte, beijos e lindo dia pra vc! :]
E foi assim que Pati Araújo descobriu o meu "Raízes". Aos pouquinhos foi conhecendo a minha história de vida e eu fui acessando o seu blog  Flor de Liz  e, aos pouquinhos, também fui descobrindo a pessoa maravilhosa que ela passa ser através das sua postagens. Nasceu entre nós uma amizade virtual que, hoje, mesmo sem a conhecer pessoamente, posso dizer que ela plantou sementes no meu coração que um dia , certamente, nascerão e fincarão suas raízes. 
Este espaço é reservado para aqueles que fazem esta viagem junto comigo no meu "Trem da Vida". Por antecipação ao nosso conhecimento físico/pessoal disponibilizo para você, Pati, juntamente com sua linda família: Lua (sua filha) e Dona Izabel (a senhora sua mãe), três cadeiras no "vagão" da minha família.
Eu não conheço seu rosto, mas juro que conheço a sua essência. "Compartilho aqui tudo que amo", foi a primeira frase que li no seu blog. E o que você compartilha revela o que você é, você ama a leitura e, afinal, "uma pessoa vale pelo que diz, diz pelo que pensa e pensa pelo que lê ." 



No dia 12 de dezembro Pati me homenageou com  um selo para o meu "Raízes":

Lusa, lá no meu blog tem um selinho pra vc, uma pequena homenagem pelo lindo resgate que vc faz no seu Blog "Raízes". Beijos :)

Os dias foram passando e continuei escrevendo os relatos sobre as nossas origens, conforme havia prometido no "Raizes", o Blog que deixo de presente para os meus netinhos. E, assim, Pati, desde o dia em que me decobriu no Blog de Dhotta o Caríssimas Catrevagens , tem sido uma fiel companheira de viagem, acompanhada de sua mãezinha Dona Izabel e Lua, a sua filhinha de 14 anos.
Descobri que Pati morava na Bahia, na Cidade de Jacobina.
Jacobina ... Precia-me uma cidade muito familiar, não a conheço, mas algo me dizia que já havia escutado falar sobre ela. Conversando com Carlos, meu marido, ele lembrou de Seu José Calu, um amigo de Itapetim, nossa terra natal, que havia morado lá com a sua família: Dona Toinha, Socorro, Caluzinho e Josete.
Seu José Calu foi o pioneiro dono de cinema da minha terra. Não posso esquecer aqueles tempos de criança... Ainda ouço o apelo na difusora local " Não percam, sensacional película cinematográfica ..." 
Gostava de ir ao cinema, mascar "chiclete bola"... rss, escondida do meu pai, pois, não sei quem informou a ele que criança chupando chiclete era um perigo, se o engulisse ficaria pregado no intestino e dava câncer, que terror!
Na década de 50 minha terra conheceu o cinema, (se você quer recordar o que andava passando nas telinhas acesse este link   Filmes da década de 50  de lá para cá só alguns ambulantes montaram suas tendas em salões, praças e calçada da Igreja Matriz, onde a parede alta servia de telão.
E lá íamos nós, de cadeira na cabeça, assistir o filme que seria exibido. Não havia o menor interesse em saber se o filme era bom, o importante era ir ao cinema ... rss
Infelizmente, ainda ão apareceu outro "Zé Calu" e minha terra, hoje, não dispõe de nenhum cinema, em detrimento da juventude que vive privada desse importante instrumento de cultura e educação.
Quando comentei com a minha amiga, Pati, sobre o nosso conterrâneo, sobre o fato dele ter morado em Jacobina, ela, gentilmente, me presenteou com imagens da sua terra:

Igreja Matriz

Igreja da Missão Velha

Hotel Serra do Ouro
O Cruzeiro

Linda a sua cidade! Quem sabe um dia não estarei por aí visitando sua família, teria muito prazer em conhecer pessoalmente essas baianas, cujas origens são pernambucanas, conforme você me revelou em um comentário à minha postagem para o Dia das Mães, lá no meu Raízes:

Oi Lusa,

... Como é gratificante conhecer um pouco mais das pessoas que escolhemos conviver, mesmo que virtualmente. Conhecendo mais percebemos as afinidades, e até o porque de uma amizade que parece de muito tempo.
Laços invisíveis nos unem, talvez seja o sangue pernambucano *rsrs*
Sinto isso ao ler suas histórias, como por exemplo essa linda homenagem à sua mãe, parece que estou lá também, vendo toda a família e desfrutando desse maravilhoso jardim. D. Rita me lembrou muito a minha avó paterna, D. Lica de Zé Agostinho (sempre achei o máximo esse costume de assim denominar as pessoas da família, uns realmente pertencem aos outros: fulano de sicrano...e assim por diante.) Minha avó, mulher forte, com cabelo nas ventas... todos tinham medo dela, inclusive eu quando passava férias aí em Pernambuco, mas era só a cara de brava, por dentro era uma manteiga derretida. Sempre que íamos pra casa dela, no retorno para cá era a maior choradeira, ela não queria que painho voltasse pra casa... na verdade ela era muito emotiva.
Lusa, obrigada por suas palavras tão carinhosas no dia das mães, também felicito você, que é mãe e avó, sempre fazendo o melhor por seus filhos e netos, parabéns!
Mãinha e Lua mandam beijos e já incluímos você e sua família nas nossas orações, que Deus nos guarde e proteja.
Beijos e felicidade :)
Com carinho: Izabel, Pati e Lua
Minha amiga, com esse comentário que você fez aos pés da minha postagem em homenagem à minha mãe, pela passagem do seu dia, você selou a nossa amizade, você me faz repetir com toda convicção:

"Tem coisas que a gente não tira do coração" e a sua amizade é uma delas.
Muito obrigada, Pati, sua família também está inclusa nas nossas orações e hoje faz parte da minha árvore de amigos!

EM HOMENAGEM À FAMÍLIA BAIANA:




P.S.
Se você recebeu um e-mail, relativo a esta postagem, não deixe de clicar em "Postado por Lusa Vilar em Raízes do Coração" para ver a postagem na íntegra.

terça-feira, 8 de junho de 2010

O MUNDO É MAIS BONITO POR CAUSA DE VOCÊ!



Carlinda me enviou este vídeo por ocasião do falecimento de Antônio Rêgo, meu cunhado, irmão do meu marido, Carlos Rêgo.
Eu fiquei emocionada com a análise que a minha amiga fez da minha pessoa, eu fiquei envergonhada em saber que ela me vê sob a ótica da bondade e da humildade, quando tenho consciência que deveria ser melhor do que o que humildemente tenho me esforçado para ser.
Eis o Texto que Carlinda escreveu para enviar junto com este maravilhoso pps:

Querida Lusa,

Você faz a diferença, como seria bem melhor o mundo se tivesse mais gente como você, amiga.

Vasculho seus escritos, analiso suas palavras sinceras, seus depoimentos, sua segurança nas propostas de vida e nas entrelinhas daquilo que a vida escreve...

Como deve ser bom contar com alguém na família que, é porto seguro, âncora, luz, fortaleza...

Estás plantando para teus netos as sementes do sucesso e com certeza, esse terreno é fértil, porque preparas com tanto carinho, que dá pra sentir a receptividade destes pequenos e também dos sobrinhos e até mesmo daqueles familiares que não sabem ser assim como tu és, mas reconhecem e se orgulham de ti...

A família Rêgo recebeu um baluarte que, na gratidão, no respeito à vida, restabelece os elos de amor à família, unindo as tradições e projetando o lado digno e bom dessas duas famílias que naturalmente vais registrando na tua história tão rica em sentimentos, afeto, carinho, ternura e compreensão.

Quando parte um familiar para o mundo espiritual, deixa além da saudade e do reconhecimento de seus feitos, uma nesga de reflexão sobre nossa passagem neste planeta. Nem sempre estamos aptos e educados para o reconhecimento e o elogio justo para com aquelas pessoas que de uma maneira ou de outra fizeram a diferença e deram de si aquilo que sentiram vontade, e fizeram o bem...

É uma pena a gente só saber falar bem de um amigo, de um irmão, de uma personalidade importante, de um parente, de um conterrâneo, de um benfeitor, quando ele parte e deixa a lacuna e a tristeza no coração daqueles que, apesar de reconhecerem tudo que receberam , não souberam ser pródigos nesses reconhecimentos e elogios sinceros nascidos da alma.

Essa é mais uma reflexão que faço quando estou no teu blog, quando olho o passado! Admiro-te muito e és para mim, uma pessoa muito próxima apesar de nunca termos convivido nessa encarnação atual, mas com certeza essa afinidade vem de outros ciclos de vidas passadas.

Com carinho meu abraço extensivo a Carlos e beijos nos netinhos.

Sexta feira passada nós mandamos celebrar uma missa por Antônio Rêgo Vilar em gratidão a tudo que ele fez por Paulino, pela família de Tia Ritinha de seu Zé Alves e pelos amigos como Zezé Maxixe, Inácio Soares, Adalberto Ferreira os meninos de Dona Galiana, e muitos outros amigos da nossa adolescência, como Alfeu, Diniz, Leão, os filhos de seu Benedito Salvador e muitos outros...

17 de março de 2010
Carlinda Nunes de Brito
Hoje recebi um e-mail do meu cunhado Geraldo Rêgo, um cunhado que além de culto é um getleman, refinado por natureza.
Sua mensagem veio acompanhada deste mesmo pps, que no seu último slide diz que "O mundo é mais bonito por causa de você".
Sentir o carinho das pessoas que nos cercam, é se sentir amado e querido, é receber a única moeda que paga o bem querer.

Foram essa as palavras a mim dirigidas pelo meu cunhado amigo, Geraldo, por quem tenho o maior apreço:

Lusa, dócil e meiga criatura,

O tempo passa sem que percebamos a sua velocidade. Quem me enviou esse lindo sentimento, que lhe repasso, hoje é uma senhora de 49 anos, que a conheci criança e que, carinhosamente, trato-a como menina Leila. É uma real constatação que, de repente, fiquei idoso sem também perceber.

Com meu afeto fraternal,
Geraldo Rêgo
Vi e revi esse pps por várias vezes, e quanto mais via, mais me convencia de que, ter sido escolhida por vocês dois, como pessoa especial, é coisa que a gente não tira do coração!

PS: Se você recebeu, por e-mail, esta postagem, clique em "Postado por Lusa Vilar, em Raízes do Coração" e acesse o Blog.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

COMPANHIA PRAZEROSA!

Certa vez li uma frase que, de tão verdadeira, resolví adotá-la como meu conceito sobre amigos:
"Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade. (Confúcio)." 
Além da família a gente aprende a gostar dos amigos, amigos que, diferentemente da família que não pode ser escolhida, fazem parte da nossa viagem no "Trem da Vida" e estão presentes em momentos especiais para nos consolar ou para rir conosco nas horas de alegria.
Vandinha, minha amiga, você já circulava no "vagão" da minha família desde os tempos dos seus saudosos avós, que se fizeam presentes na vida dos meus pais e mutuamente se gostavam tanto.
A sua avó, Dona Ana Alves, deixou muitos corações tristes, privando-os das suas observações espirituosas, as quais arrancavam gargalhadas das pessoas mais sisudas que pude conhecer.

Dona Ana Alves (in memoriam)

Talvez você não saiba o quanto Dona Ana foi amada na nossa casa. Quando eu tinha vinte anos, você tinha apenas dez. Eu já estava passeando no "Trem da vida", ela foi um dos passageiros queridos que desembarcou e deixou muitas saudades. Ela deixou para vocês um lembrete importante: Neste "Trem da Vida" há um vagão ocupado por uma família que teve por mim muito carinho, gostaria que vocês não esquecessem disto.

E não esqueceram, pois passeando pelo orkut eu encontrei uma foto de Lourdes, sua tia, juntamente com uma amiga nossa, Maria de Ica (in memoriam), veja o que tinha escrito no rodapé.:


Obrigada, Toinho Piancó (1995)

Meu pai, Toinho Piancó, havia envidado esforços junto ao Governo do Estado, no sentido de garantir a Lourdes uma vaga de enfermeira no Hospital da cidade. Depois de tantos anos, a sua tia, ao rever a foto, com três simples palavras fêz ao meu pai a sua grande homenagem.

Eu fiquei tão emocionada, igualmente quando abri o orkut de Maria Nunes e vi uma foto da Fábrica do meu pai, nela havia a seguinte inscrição:  "Saudades de Montão". Segundo ela, foi lá o seu primeiro emprego.

Esse é o verdadeiro sentido da vida, ajudar as pessoas quando de nós estão a precisar e saber agradecer quando estivermos do outro lado, pois a vida é uma via de mão dupla, por vezes ajudamos e vezes por outra precisamos ser ajudados.

Sua amada mãe, Maria, que há pouco tempo nos deixou, tambem repassou para vocês o recado de Dona Ana. Não foi por acaso que você ao circular no "vagão" dos Piancós encontrou essa criatura maravilhosa, que hoje é seu esposo.

E assim, na nossa terra natal, somos uma grande família que aos poucos se mistura tanto uns com os outros que sentimos dificuldades em saber porque somos primos de alguns jovens dessa nova geração.

Você foi escolhida por Jorge Piancó (meu primo), por conta das suas qualidades, da sua alegria, da sua postura diante da vida.


Vocês são provas incontestáveis de um casal feliz, de pais amorosos, de amigos inestímáveis. Que Deus ilumine suas vidas e que graças recebam juntamente com suas filhas. Eu amo vocês!

É preciso dizer que existem "coisas que a gente não tira do coração", e a convivência que tivemos naquele ano de 2000, ano da candidatura de Carlos, meu marido, para prefeito de Itapetim, onde vocês foram partífices da nossa luta, acreditaram, trabalharam e nos prestigiaram com a presença em todas as horas, consolidou a nossa amizade.

Se não logramos êxito, certamente é porque era um projeto nosso, mas não era um projeto de Deus. Melhor assim! Porém deixamos o nosso recado de cidadãos, tivemos a oportunidade de revelar publicamente o nosso amor a nossa terra natal.

Guardamos muitas lembranças boas, das mais sérias as mais cômicas, inclusive da Drª Lúizia que vocês tão carinhosamente ainda hoje me chamam. (Obrigada, Seu Moisés), kkkk

Em agradecimento aos esforços que fizeram, eu quero postar aqui um poema que li e que diz sabiamente o que gostaria de saber escrever para vocês:
"Houve tempo em que precisamos sorrir;
e vocês sorriram conosco;

Houve tempo em que precisamos brigar, questionar;
e vocês nos apoiaram;

Houve tempo em que sonhamos, acreditamos e vivemos intensamente muitas emoções;
e vocês estiveram ao nosso lado, enfrentando todas as dificuldade;
acreditando em nós e nossos ideários;

Houve tempo em que precisamos chorar;
e vocês souberam nos consolar;

Houve tempo em que nos sentimos sozinhos;
Mas como um presente maravilhoso de Deus;
nos lembramos que não perdemos vocês;

E hoje, não mais nos sentimos sozinhos;
porque sabemos que na vida tudo passa;
só não passa a amizade, quando ela é verdadeira.
(Hélio Marques)

Obrigada, meus amigos, continuo achando que, "tem coisas qua a gente não tira do coração" e a amizade de vocês é uma delas.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

AOS FOLIÕES DO SALÃO GRANDE DO PADRE!


1999 -  O Bairro do Recife Antigo recebia os foliões para a festa momesca. Vilar estava a frente da administração do Porto do Recife. Nós tínhamos convite especial para um camarote posto à disposição dos portuários.

Uma conterrânea querida havia vindo de Mato Grosso do Sul para rever a família e os velhos amigos. Era a nossa inesquecível Nevinha de Seu Zé Dentista (comadre Neva, é assim que carinhosamente a chamamos).

Convidamos os casais: José Humberto e Bernadete, Leninha e Raimundo, os nossos mais queridos amigos,  para o carnaval do Recife Antigo.



Os recifenses, alegremente , faziam o passo ao som do frevo das bandas que se apresentavam. Foi uma noite prazerosa. E não há como negar que o carnaval do meu Recife é o melhor do meu Brasil.

Mas, os velhos foliões do Salão Grande do Padre ( era um salão de propriedade do Pe João Leite, onde brincávamos todos os carnavais na nossa adolescência) suspiravam saudades dos velhos carnavais de Itapetim, nossa terra natal.

Após a foto, saímos à procura de uma mesa. Entre uma apresentação e outra, meu coração e os meus pensamentos voavam para a década de 70 e aterrissavam em Itapetim.

E eu fechava os olhos, voltava ao passado, e via a juventude daqueles casais, as paixões daqueles enamorados, Bernadete e Zé Hu8mberto, Leninha e Raimundo, eu e Carlos ...



1968 - Meus pensamentos me faziam recuar 31 anos, levavam-me para o Salão Grande do Pe João para reviver, nostalgicamente, aquele primeiro carnaval que meu pai me deixou brincar. Ele só nos deixou participar porque não pode negar a um dos casais mais amigos que ele tinha, os saudosos Dona Ivanira e Dr. Clístenes. Ele era naquela época o único médico da nossa pequenina cidade. Eram recifenses. Meu pai, na sua gestão de prefeito consegui levá-lo para clinicar em Itapetim.
Sua esposa, D. Ivanira (in memoriam), passou a ocupar a diretoria do Grupo Escolar D. José Lopes, onde fiz meu curso primário.
Infelizmente, para desgosto de toda a nossa comunidade, o nosso médico, na quarta-feira de cinzas desse carnaval, foi acometido de uma trombose na carótida esquerda, trouxeram-no para a capital, Recife, mas não resistiu e faleceu. Deixou saudades eternas no coração de cada Itapetinense, principalmente para nossa família, cujos laços de amizade eram muito estreitos.

Os amigos, que moravam na mesma rua do Salão do Pe, deixavam suas portas abertas a noite inteira, qualquer um de nós sentia a liberdade de entrar sem pedir licença; de saborear as iguarias que faziam para nos receber; de deitar em suas camas ou em seus sofás,  de beber um cocktail feito de cachaça e leite moça (chamado de leite de onça) e de até tomar banho, quando algum dos rapazes se excediam na bebida.

 O banheiro à disposição, pois o nosso "clube" era tão improvisado que não tínhamos sequer onde fazer as nossas necessidades fisiológicas.
As casas dos amigos na nossa da juventude em Itapetim, na circunvizinhança do Salão Grande, eram as de Dona Socorrinha e Seu Miguel Costa (in memoriam), (pais de Leninha, minha amiga dessa foto do Bairro do Recife Antigo), de D. Maria José (in memoriam) e Seu João Ricardo e outras mais.
A casa de Dona Jóvem e Seu Inácio Borges (os pais de Bernadete, que também está na foto do carnaval do Bairro), poder-se-ia chamar de "Casa Sede dos Foliões do Salão Grande do Pe".
Dona Jóvem acolhia esses jóvens carnavalescos com os olhos e o coração de mãe. Ordem e respeito, mas simpatia e amabilidades, todos se sentiam muito à vontade.


Alice, irmã de Bernadete, tem muitas histórias para contar sobre esses foliões que, de madrugada ao invadirem a casa de seus pais, por terem tanta pureza nos seu corações, nunca desconfiaram que poderiam estar incomodando. A confiança e a amizade era uma via de mão dupla. Quem nunca entrou na casa de Dona Jóvem e Seu Inácio, no período de carnaval, é porque nunca brincou no ao Salão do Pe.


O nosso conjunto musical, a quem carinhosamente apelidamos de "PPFOM", vinha aos meus ouvidos, mesclando o som de suas saudosas músicas com os das melhores orquestras contratadas para o carnaval do Recife Antigo.
Ao olhar para Leninha, eu me recordava da música que mais a ouvi cantar pelo Salão Grande do Pe:
 Me dá um copo, quero beber cachaça com limão, quero afogar as minhas mágoas, eu hoje bebo, bebo até cair no chão. Vem meu amigo, vem beber comigo quem não bebe morre, quem bebe morre também, não tem mais jeito, não tem solução, eu vou beber até secar o garrafão.
E pela saudade que me invade, eu deixo para vocês, Dalva de Oliveira que se despediu dos palcos em 1999, justo na última vez em que nos encontramos em carnaval!

Bandeira Branca - Dalva de Oliveira - 1970




Essas coisas não se tiram do Coração!