Eu acredito. Creio que ter sua amizade é realmente ter um pedaço do céu!
Este é um anexo do "Raízes", meu blog oficial. Aqui, você encontrará postagens sobre velhos e novos amigos que estão no nosso "Trem da Vida", dentre os quais alguns acabaram de chegar, outros mudaram de vagão, temporária ou definitivamente, mas deixaram raízes em nossos corações. Muitos já desembarcaram e deixaram saudades imorredouras. É para essas pessoas, que fazem ou fizeram parte dessa maravilhosa viagem, que acabo de criar este espaço e aqui postarei as minhas homenagens.
"Ao clarão do Natal , que em ti acorda a música da esperança, escuta a voz de alguém que te busca o ninho da própria alma!..."
...Sou da Família Ritinha
Deste Riacho Salgado
E a muito tempo vinha
Querendo ver registrado
Aspectos daquela vida
Lembranças tão doloridas
Que nem o tempo desgasta
Quanto mais passa, sinto
Da saudade o labirinto
Que de mim nunca se afasta ...
Não conheci os pais de Carlinda, do ponto de vista de um relacionamento profundo. Sei, por informações dos meus, da integridade moral e da conduta que os seus antepassados deixaram como exemplo para a sua posteridade.Não os conheci, mas hoje posso dizer que conheço Carlinda. Nunca em tão pouco tempo de convivência contínua, alguém pôde revelar com tanta firmeza o caráter de que é possuidor.
Carlinda, com certeza sofreu influências da família: pela genética, pela convivência e pelos ensinamentos. Mas Carlinda, ao partir tão cedo para a vida, mostrou que era senhora do seu próprio destino. Através das suas forças interiores ela escolheu a sua forma de interagir com a sociedade. Carlinda formou a sua própria índole.
De posse dessa índole, que ela mesma formou, emancipou-se no meio do seu grupo social, com plena consciência de si e da vida, e sabe, como ninguém, como manter relacionamentos de forma a ter um convívio harmonioso.
Carlinda com seu espírito livre, construiu seu próprio destino. E, ao cruzar com os nossos destinos, ela nos dá gratuitamente essa bagagem que adquiriu na vida, hora pela influência positiva dos seus antepassados, hora pelo seu espírito livre para se construir, hora pela índole que possui. Enfim, Carlinda por onde passa, não só brilha, ela derrama luz!
E feliz daquele que souber aproveitar, nem que seja uma só fagulha, dessa luz que existe em seu interior.
Enfim, privar da amizade de Carlinda, se sentir amada por ela, é um grande privilégio.
Carlinda é gente que não se tira do coração.
16 de outubro 2002
Morreu ontem, em Palmares, de complicações no fígado, o cantor e compositor José Antônio do Nascimento Filho, cujo nome artístico era Zeto. Ele ficou conhecido quando participou da campanha do programa eleitoral de Miguel Arraes, em 1986, improvisando em cima do mote “Arraes vai entrar pela porta que saiu”.Nascido em Canhotinho, Zeto morou muitos anos na cidade de São José do Egito, onde casou com Bia Marinho, filha do célebre repentista Lourival Batista. Com a mulher, Zeto formou uma dupla e chegaram a gravar um LP, Estrada, em 1989, dedicado ao compositor José Marcolino.
Zeto, feito os cantadores do Sertão antigo, levou vida errante. Uma das poucas vezes em que ele alterou seu modo de viver foi quando apresentou o programa Pé de Serra, na TV Jornal, em 1996, quando foi substituído por Maciel Melo. Presença constante em festivais de repentistas, Zeto foi também compositor de forró bastante requisitado pelos artistas do gênero. Entre os que gravaram composições dele estão Paulo Matricó, Alcymar Monteiro e Flávio José.
Ele gravou seu último disco em 1999. Intitulado Curvas, o CD teve lançamento independente, e circulou basicamente entre os admiradores do artista. Zeto foi enterrado, ontem, em Canhotinho, onde mora sua família.
"... tenhamos nós até a capacidade de amar mais, até o réu, ou bandido do que ao sistema falido que assim o fabricou.
Técnicos o Direito tem em abundância, conhecedores da letra fria da lei sobram nos corredores da Universidade, ostentadores de ternos e gravatas encontram-se aos montes, mas homens e mulheres apaixonados pela raça humana, independente da área em que atuem, estão em extinção. Pedimos então equacionar esses números, nos apaixonemos diariamente pelo que a nossa ciência pode fazer de alteridade.
Sejamos mais do que os livros que repousam empoeirados nas nossas bibliotecas, porque eles aconchegam em suas páginas apenas o conhecimento, e nós não, podemos aconchegar em nosso colo, em nossa alma e em nosso coração, além do conhecimento, a dor universal fruto da pobre condição de se ser homem, de se ser mulher; só assim terá valido a pena, não o curso, não o diploma ou o dinheiro investido, é muito mais do que isso. Só assim terá valido a pena a nossa passagem por este mundo, no qual, realmente, estamos apenas de passagem ..."
Jornal do Comércio - 06/Ago/2003
A lendária trindade da cantoria nordestina, formada pelos irmãos Batista, de São José do Egito, encerrou-se ontem, com a morte,em João Pessoa , de Otacílio Batista, 79 (completaria 80 em setembro), em conseqüência de problemas respiratórios e cardíacos. Ele sofria de diabetes e esclerose. Os outros “faraós”, como os irmãos eram também cognominados, Lourival, o “Louro”, e Dimas, faleceram, respectivamente, em 1992 e 1987.
Otacílio Batista era o mais novo e mais bem-humorado do trio. Orgulhava-se de ter cantado para todos os Presidentes da República, de Gaspar Dutra (1945) a FHC, e para o Papa João Paulo II. Nascido em Itapetim, então distrito de São José do Egito, no Sertão do Pajéu, Otacílio Batista viviaem João Pessoa , onde cantou pela última vez, no início do ano passado, com o parceiro Oliveira de Panelas. Por telefone, da capital paraibana, também adotada por ele, Oliveira falou com emoção do colega com o qual por 23 anos formou uma das duplas mais duradouras da história do repente.
Ele cantou pela primeira vez com Otacílio Batistaem São Paulo : “Isso foi em 1975, em seguida voltei para o Nordeste, quando passamos a cantar juntos. A amizade nossa era como a de pai para filho. Gravamos quatro CDs e três LPs, e viajamos pelo Brasil inteiro e até ao exterior. Fomos a Cuba, Bolívia e Portugal. O repente perdeu um gênio. Ele deixa uma lacuna enorme na poesia brasileira”. Na hora, com a voz potente, que o levou a ser alcunhado de “O Pavarotti do Sertão”, Oliveira de Panelas improvisou esta décima para o amigo: “Por ser leal cantador/ Vivemos os mesmos planos/ Em nossos 23 anos/ Entre a alegria e a dor/ Porém quis o Criador/ Lhe envolver em um véu/ Para receber o troféu/ Que Deus lhe deu de presente/ Hoje foi fazer repente/ Nas cantorias do céu”.
Embora já fossem lendas no Nordeste, os irmãos Batista só se tornaram conhecidos nacionalmente a partir dos discos da gravadora Marcus Pereira, que empreendeu um mapeamento da música regional do país em1973. A gravação dos repentistas de São José do Egito levou jovens autores da MPB a se interessar pela cantoria. O Quinteto Violado, por exemplo, lançou no álbum Pilogamia do Baião, de 1979 ,Martelo agalopado, uma composição de Otacílio Batista, em parceria com o também cantador Diniz Vitorino. Seu maior sucesso na música popular aconteceu em 1982, com Mulher nova, bonita e carinhosa, faz o homem gemer sem sentir dor, um mote que virou canção (assinada com Zé Ramalho) e alavancou a carreira da cearense Amelinha, e inclusive foi o título do LP da cantora daquele ano .
Ivanildo Vila Nova, um dos maiores nomes do repente atual, revelou que pretende fazer, no próximo ano, uma cantoria em homenagem a Otacílio Batista, em Itapetim, sua cidade natal: “Cantei váris vezes com ele. Era sem dúvida uma das legendas do repente. Dos três irmãos, para mim era o que cantava mais bonito e o mais humorista”. O humor de Otacílio Batista aflorava em versos como estes: “Admiro o vagalume/ Voando ao morrer do dia/ Desafiando a ciência/ Que o homem na Terra cria/ Com um pisca-pisca na bunda/ Sem precisar bateria.”