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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

QUE BOM TE ENCONTRAR, ROSINHA!


Um dos inúmeros comentários postados no meu "Raízes", assinado por Rosinha:

"Estou simplesmente maravilhada com seus blogs. Parabéns sinceros do fundo do coração, são feitos com amor, verdade e sabedoria. Os meus são feitos por uma principiante, mas com os mesmos ideais, pode crer, minha amiga, deixe que a trate assim, pois é o que sinto. Adoro a família, tenho uns filhos e uns netos que são meu encanto e que andam sempre no meu coração.
Rosinha."
O meu coração me levou à Coimbra, precisava conhecer de perto essa portuguesa que, mesmo sem me conhecer pessoalmente, mesmo estando além mar, julgou-me ser uma pessoa sincera, verdadeira e sábia, capaz de guardar e distribuir  amor àqueles que me são caros.

Há tempos vínhamos trocando comentários em nossos blogs. Postei minhas impressões e meus agradecimentos nos seus blogs: Amor Maternal e De Tudo um pouco , mas o desejo de conhecê-la pessoalmente era algo que não conseguia tirar do meu coração, principalmente porque, ao ler suas postagens, senti enorme identificação de perfil: amante da família, mãe e avó dedicada.

Ao programar nossa viagem à Europa fizemos questão de incluir Coimbra, pois, lá estava Rosinha, e o meu coração não me perdoria se deixasse escapar esta oportunidade de ouro. E assim, ainda em Paris, falei com ela pelo computador, ficou acertado que ao chegarmos em Lisboa combinaríamos dia e hora para o nosso encontro.

Partimos de comboio para Estação do Oriente, e lá chegamos por volta de duas horas da tarde. Ao desembarcarmos eles estavam na plataforma à nossa espera, abraçamo-nos como velhas amigas, embora nunca tivéssemos nos visto pessoalmente.
Rosinha estava em companhia do seu esposo, Paulo, tão simpático e acolhedor quanto ela, nos recebeu com a mesma amabilidade.

Nunca fomos tão assediadas pela imprensa local (Paulo e Vilar), cada um a seu tempo clicava para fotografar a alegria das amigas que acabavam de deixar de ser virtuais, para agora, sim, serem de carne e osso.




E ali, defronte uma para a outra, sacramentamos a amizade que já existia, antes mesmo de nos conhecermos pessoalmente. Os maridos também trocavam suas conversas e, naquele momento, recebemos o convite para o almoço que o casal nos ofereceu no Restaurante Pedro dos Leitões, um ponto turístico imperdível para quem visita Coimbra.


O mais conhecido e o mais antigo dos restaurantes da Mealhada é o "Pedro dos Leitões". Álvaro Pedro, antes de se instalar em sua própria cidade de nascimento, morou no Brasil, em São Paulo, onde não se deu bem no negócio de restaurantes. Na década de 40, numa casa modesta junto à estrada Porto-Lisboa, começou a tornar famoso o leitão da Bairrada, que antes era circunscrito ao consumo doméstico da própria região. No princípio dos anos 50, com a inauguração da auto-estrada e o aumento do tráfego entre Lisboa e o Porto, o restaurante cresceu e hoje é uma casa ampla que atende a mais de 800 pessoas por dia em cada fim de semana.

Provamos dos leitões do Pedro, uma delícia! Melhor ainda, a companhia do amável casal que nos recebeu de maneira impecável, entre um garfo e outro íamos debulhando rapidamente algumas de nossas histórias.

Leitões inteiros


Servidos à mesa



Lindo quadro de azulejos na parede do restaurante.

"Para quem sái do Porto de carro em direção a Lisboa, pela auto-estrada A1, a apenas 17 quilômetros de Coimbra está situada a Mealhada, na região da Bairrada, famosa por seus vinhos encorpados e pelo Leitão à Bairrada, glória e orgulho da gastronomia portuguesa.
É um dos dezenove "Concelhos" do Distrito de Aveiro. Os "concelhos" são o equivalente aos distritos de um Município, no Brasil. Na entrada da cidade, como um portal que identifica a sua principal atividade econômica, está exposta num conjunto de azulejos a imagem de um homem assando um leitão enfiado num espeto, num forno de barro muito usado na região. Azulejos como os que existem até hoje no Brasil, na nossa herança cultural portuguesa guardada nas igrejas coloniais, só que, ao contrário daqueles da Mealhada, os nossos contêm imagens de santos e cenas religiosas."






Ao témino do delicioso almoço, os nossos amigos nos convidaram para fazer um rápido passeio pela Cidade de Coimbra, teria que ser rápido mesmo, pois já estávamos com o bilhete de volta à Lisboa, não poderíamos nos demorar para não perder o horário do comboio.

Partimos em direção a Universidade de Coimbra e, por lá, ainda tivemos a oportunidade de conhecer coisas maravilhosas a exemplo do "Retiro dos Poetas", um local onde estudantes que passaram pela Universidade voltam para gravar seus poemas de saudades e agradecimentos. Em blocos de alvenaria, vão deixando poemas evocando os bons tempos em que alí adquiriram seus conhecimentos, tornando-os profissionais.





Os nossos amigos nos levaram para um tour na cidade, apesar do curto tempo conhecemos, graças a Paulo e Rosinha belos lugares. Vejam alguns dos principais lugares por onde passamos:




Os Arcos do Jardim ou Aqueduto de São Sebastião, situados em frente ao Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, foram outrora um aqueduto romano, que servia para abastecer a alta de Coimbra.
Construído pelo engenheiro italiano Filipe Terzio no reinado de D. Sebastião, sobre ruinas de um aqueduto da época romana, ligava os morros onde se situavam o mosteiro de Santana e o Castelo, vencendo uma depressão em vinte e um arcos.
Por sobre o Arco de Honra existe um conjunto de duas esculturas representando, do lado Norte São Roque, do lado Sul São Sebastião.
(Texto: Wikipedia)



COIMBRA (Portugal): Igreja de São Tiago - Sé Velha 


"A Sé Velha é um dos grandes expoentes do românico português. Erguida num período em que a fronteira entre cristãos e muçulmanos assentava na linha do Mondego, conservou traços de igreja-fortaleza, com fachada rematada por ameias. Exteriormente domina o românico. No interior são visíveis outros estilos. É o caso da Porta Especiosa, na fachada lateral norte, que data da segunda metade do século XVI, atribuída a João de Ruão. A cabeceira é formada por uma ábside do século XII, rematada por uma cúpula do século XVII. O claustro é uma das primeiras obras góticas do país.

O aspecto mais notável da decoração românica da Sé Velha é o grande número de capitéis esculpidos (cerca de 380), que a converte em um dos principais núcleos da escultura românica portuguesa."





Igreja de Santa Clara

Nesta Igreja está sepultada a Rainha Izabel de Aragão. Local de repouso final depois de tersido trasladada do seu antigo convento "Convento de Santa-a- Clara - A Velha". Neste momento os seus restos mortais repousam num túmulo de prata, mas o túmulo original em pedra de ançã também se encontra nesta igreja no coro baixo.



Santa Izabel - A Rainha Santa




Do Miradouro do Vale do Inferno avistei a belíssima Coimbra!


Situado na margem esqueda do Mondego, que oferece as melhores vistas de uma cidade cheia de miradouros, este é, possivelmente, o mais espectacular. Fica na antiga estrada que descia para a ponte de Santa Clara e oferece o panorama mais "completo" sobre a cidade do Mondego, abrangendo o Choupal, a Lapa dos Esteios, a Quinta das Lágrimas, as margens e o curso do Mondego, bem como a Baixa e a Alta da cidade.

Terminado o nosso maravilhoso e corrido passeio pelas ruas de Coimbra, Paulo e Rosinha fizeram absoluta questão que fôssemos até a sua residência, onde posamos para as fotos finais e recebemos três belíssimos presentes:




Um excelente vinho do Porto


Um pano bordado no tear.



A Imolização Gessada Convencional/Clássica em Ortotraumatologia
(De Paulo Homem)
Por fim, Paulo nos levou para conhecer o seu cantinho de "caríssimas catrevagens" dentre as mais belas, uma coleção de candeeiros antigos, onde ele me afirmava que só estava precisando de um único modelo para terminá-la. Lembrei-me naquele momento do meu primo/cunhado, Heráclio, que também curte a sua aposentadoria na garagem de sua casa, numa oficina que apelidamos de "A Oficina do Professor Pardal". 
Claro que me lembrei de Dhota, meu amigo e conterrâneo, por causa do seu blog Caríssimas Catrevagens onde ele faz resgates tão significativos de memoráveis lembranças relativas a coisas que já não existem mais.

O mais recente trabalho do meu mais novo amigo, Paulo, é a recuperação da cama que pertenceu ao senhor seu pai:


 Fiquei maravilhada !

Aqui deixo registrada a nossa passagem por Coimbra, e os nossos agradecimentos pela calorosa recepção do casal Rosinha e Paulo, e quero deixar também a certeza de que ter estado com vocês faz parte das coisas que não se tiram do coração. Resta-nos, para completar a nossa alegria, recebe-los no nosso Brasil, lhes assegurando que de tudo faremos par retribuir tantas gentilezas.


VÍDEO QUE GUARDA IMAGENS DA NOSSA VISITA A COIMBRA


  

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

VEJA SÓ QUE FESTA DE ARROMBA - ANIVERSÁRIO DE GLEICY



Ao retornarmos da nossa viagem de férias, logo avistei o convite para a festa de aniversário de Gleicy que havia ficado sobre a minha escravaninha. O convite nos avisava que o tema da festa seria "Anos 60".

Ah! Anos 60! Acendeu-se no meu coração a chama que outrora me tinha queimado por dentro e por fora naqueles anos idos de juventude. A primeira das lembranças que me surgiram na mente foi a da casa do saudosos Dr. Clístenes Leal, cujas portas se abriam aos sábados à noite para receber a turma do iê iê iê da minha pequenina Cidade, Itapetim.


Dr. Clístenes Leal (in memoriam) e seus filhos Fernando e Gilberto
(Construção da sua residência)

Do iê-iê-iê? Nunca havia me perguntado a origem disso. "Iê-Iê-Iê" foi usado como denominação do rock'n'roll brasileiro da década de 1960. O termo surgiu a partir da expressão yeah, yeah, yeah, presente em algumas canções dos Beatles, como She Loves You, por exemplo, o mesmo aconteceu na França onde o pop rock local sugido em meados dos anos 50 recebeu o nome de Yé-yé.

O diferencial do iê-iê-iê para a MPB tradicional era que nos acompanhamentos das canções havia sempre as guitarras elétricas substituindo o violão. Depois seria introduzido o órgão eletrônico, no lugar do piano. O rock começou a dominar o iê-iê-iê a partir dos grupos que se apresentavam no programa Jovem Guarda.

Quando li o convite de Gleicy relembrei com muitas saudades aqueles embalos dos sábados à noite na residência do amigo inesquecível, primeiro médico da minha cidade, a quem minha família devotou imensa afeição. Dona Ivanira (in memoriam) sua esposa, nos acolhia com muita simpatia. Transformavam a sala de visitas no dancing e a radiola se encarregava de soltar o som no ambiente com as músicas da época, todos entravam no embalo do rock e do twister. Pouco a pouco as famílias itapetinenses foram se revesando e, a cada sábado, escolhíamos uma casa para realizar os nossos famosos "arrastões".

 

Outro dia encontrei um arquivo na net sobre a Jovem Guarda. Tratava-se de uma aula de História na qual o autor dizia que havia preparado aquele material para que os alunos pudessem ficar a par de como viveram socialmente seus "antepassados". Antepassados? Santo Deus! Eu que, até então, achava que "antepassado" era termo para meu bisavô, meu avô ... E agora eu estava enquadrada também.

Pensando bem, até que mereço o enquadramento, pois já estava com dez anos quando Brasília, a nova capital do meu país, foi inaugurada no dia 21 de abril de 1960, época em que cursava o primeiro ano ginasial no Colégio Normal São José, na Cidade de São José do Egito.

Aos onze anos de idade eu tive a notícia de que o primeiro homem havia ido ao espaço sideral, o cosmonauta Yuri Gagarin, mas só soube disto por causa do frevo "A lua disse", sucesso do carnaval pernambucano de 1962, na voz de Evaldo França:

 "Gagarin subiu, subiu, subiu, / foi até o espaço sideral, / chegou perto da lua e sorriu, / vou embora pro Brasil que o negócio é carnaval. / A lua disse: "Não vá, demore mais, / pois ouvi que lá na Terra querem me passar pra trás" / Mas o gagarin não ligou e deu no pé: / "Vou mesmo pro Brasil, eu quero é conhecer Pelé".
 
Enquanto no Brasil o Presidente Jânio Quadros  renunciava, nos Esatados Unidos as relações Diplomáticas com Cuba foram cortadas. Foi uma década onde perdemos pessoas muito importantes no cenário mundial:

O presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, foi assinado durante uma visita a Dallas, no Texas, em outubro de 1967 Che Guevara foi executado na Bolívia e em 4 de abril de 1968 Martin Luther King Jr também perdeu a vida em defesa dos direitos civis do negros dos EUA.
 
Poucos privilegiados tinham televisão na minha terra, e, mesmo assim, a imagem era péssima. Não se tinha jornais nem revistas e as notícias do mundo, para os demais,  chegavam pelo rádio.
Vivenciei essa década, de 1963 a 1969, como filha do prefeito da cidade.  Em 31 de Março de 1964 o golpe militar derrubou o presidente João Goulart e o mandato de prefeito do meu pai foi prorrogado por mais dois anos.

Em 9 de Fevereiro de 1965 as primeiras forças de combate dos EUA são enviadas para o Vietnã do Sul. Começa a Guerra. Quem não lembra da uma das músicas mais ouvidas pela nossa geração? Era um garoto, que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones ...

Em 20 de Julho de 1969 Neil Alden Armstrong foi o primeiro homem a pisar na Lua, como comandante da missão Apollo 11. Nã posso esquecer do meu cunhado Aderbal (in memoriam), o irmão mais velho do meu marido, quando fez suas observações sobre aquela importante conquista para o mundo. Ele olhava para as pessoas que disputavam um lugar diante da televisão e dizia repetidas vezes:

- Deixem de ser bobos, num tá vendo que isso mentira. Onde já se viu uma coisa dessa! Que homem na Lua coisa nenhuma!

Interessante é que há poucos dias atrás lí algo nesse sentido, não me lembro mais quem escreveu, mas o artigo punha em dúvida uma das mais importantes conquistas dos Estados Unidos da América.

Tenho a impressão de que meu cunhado estava influenciado por essa música do carnaval de 1961 gravada por Ângela Maria.



Antes de sairmos para a festa de Gleicy eu me lembrei, com muita saudade, de vários dos nossos amigos que fizeram parte do nosso grupo nos anos sessenta. Com o coração apertado me lembrei de Vilani e Jazon (in memoriam). Não esqueci do amigo  Zé Belém que dava os melhores passos no twister. Nem tampouco de Amauri, Peba do Padre, Hamilton, Ednólia, Giba, Gracinha de Dona Otacília, Leninha, Nevinha, Lourdinha e Do Carmo de Zé Dentista, Dadinho, Poroca, Socorro, Zé Carlos Malta, Madá Lenheiro, Pedrinho, Gracinha de Zezo, Bernadete e Zé Humberto, tantos outros que aqui não teria espaço para citar.



Prontos para a festa, a minha neta Mariana registrou em foto. A foto colorida foi vista pelos olhos e a preto e branco pelo coração. Afinal, estávamos prontos para entrar no túnel do tempo, iríamos aos Anos 60, anos Dourados.


1968 - Festa no Colégio Normal Municipal de Itapetim


Em cada uma das músicas, uma doce recordação: um rosto de um amigo, um gesto, um passo de dança, uma piada, um perfume, uma história, nos leva a certeza de que "tem coisas que a gente não tira do coração" e os Anos 60 vividos na nossa terra é uma delas.


MOMENTOS NA FESTA 
























Para Gleicy, desejando-lhe muitos anos de vida.
Meus agradecimentos pela oportunidade de participar
da sua "Festa de Arromba"



VEJA TODAS AS FOTOS





DEDICO ESTA POSTAGEM A ANIVERSARIANTE E AOS QUE
CONVIVERAM COMIGO NA DÉCADA DE 1960 


Visite "Pássaros Soltos" - Blog de Enaide Alves e veja mais fotos desta "Festa de Arromba"

sexta-feira, 8 de julho de 2011

LONGE DOS OLHOS, MAS PERTO DO CORAÇÃO!

Valdênio - Filho dos amigos Luíz da Penha e Ediluze



Casa de Antônio Piancó (in memoriam) - Festa de São Pedro 1968
Da esquerda para à direita: Luiz da Penha (in memoriam) e Ediluze, Antônio Eudes e Socorro, Leta e Heráclio.


Vídeo dedicado a Valdênio formatado por um amigo.
Enviado por Dhotha, seu primo, por e-mail.

Foi na minha casa, na casa dos meus pais, Antônio e Rita, que Ediluze e Luíz ergueram um brinde ao amor, a vida e a felicidade a dois. Pouco tempo depois, o casal se uniu em matrimônio e dessa união nasceu Valdênio.
A minha casa, sempre aberta aos amigos, foi espaço para as brincadeiras do menino que nascera e se criara na minha rua.
"Valdênio de Luiz da Penha", "Valdênio de Ediluze", o menino que cresceu longe dos meus olhos, mas tão perto do meu coração, "desembarcou na Estação Final" tão prematuramente, porque Deus escolhe primeiro os bons, como diz seu amigo no vídeo que formatou em homenagem a ele.


Se no meu coração bate a tristeza pela sua partida, no céu haverá festa pela sua chegada. Será comemorada ao som das trombetas dos anjos, porque Jesus Nazareno foi criancinha também, pois, na sua idade, diante da eternidade que o espera, você voltou para o Pai ainda um menino.




Para os familiares, meu abraço solidário. Para Dhotta o primo/irmão de Valdênio meus sentimentos. Sei o que se passa no seu coração, pois há tão pouco tempo vi meu amigo, primo/irmão, Gilmar Piancó, também se despedir da vida terrena de forma semelhante a Valdênio, cedo demais.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

LILIA DO RECANTO - POR MARIA NUNES

Maria de Lourdes Nunes - Debaixo do Juazeiro - Sítio Recanto
Itapetim-Pernambuco

Luiz Gonzaga - Juazeiro

HISTÓRIA DE LILIA DO RECANTO
IRMÃ DE SERAFIM PIANCÓ - MEU BISAVÔ
(contada por Maria Nunes)


Maria de Lourdes Nunes

"Lusa,

Lilia chamava-se Maria Alexandrina dos Anjos, era viúva do seu primeiro casamento com José Inácio, e de Antônio Nunes Caju, meu tio bisavô, o qual foi o seu segundo esposo. 
Ela era tia legítima de Raimunda Piancó, Severina de Seu Pedro Vicente e de Seu Joaquim Piancó. Quem pode lembar bem é Odon Piancó, pois era nosso vizinho. Fomos cuidadores dela, ou seja, meu pai foi criado por eles, era afilhado dela. Meu pai havia  nos abandonado e ela e meu bizavô Antônio Caju, com dó de minha mãe que ficou com duas crianças, nos acolheram...

Doou-nos umas terrinhas, para mim e meu irmão, mamãe cuidava da casa grande dos trabalhadores. Quando meu bisavô Antônio faleceu ela pediu chorando que mamãe não tirasse dela seus filhinhos, que era eu e meu irmão. Quando eu tinha 12 anos e  meu irmão 15, veio o mais triste: Ela ficou sofrendo de esclerose múltipla e isso chegou aos ouvidos do Juíz de Direito, foi aí que o seu pai, Antônio Piancó Sobrinho, entercedeu em nosso favor, sendo asim ficamos como cuidadores dela e após dois anos acordamos com a casa cercada por todos que você conhece e, como a Lilia não sabia mais opinar, deu-se a separação mais triste que ja passei na vida.
Nós entregamos  Lilia à família, e daí a minha partida para São Paulo...
Destino, amiga, fomos amparados por seu pai, ele me adotou em silêncio, me ajudando sempre que eu precisava.

Seu pai  faz parte de minha historia. Amo vocês até o meu último suspiro!!!!! 
Beijos."

Maria de Lourdes Nunes - São Paulo


Sítio Recanto - Casa de Lilia



"Nesta casa, meus primeiros passos. A casa grande -  Sítio Recanto próximo aos Sítios: Arueiras, Maniçobas, etc. - Cuidamos da mãe Lilia esposa do meu bisavô Antônio Cajueiro que na falta do meu pai nos adotou, nos doou umas terrinhas, para mim e meu irmão, até o dia em que, por ter sido acometida de esclerose múltlipa, fomos obrigados a entregar ela para a  sobrinha dela,  Raimunda de Chico Costa.
Foi o dia mais triste da minha vida, o da separação da minha bisa a qual não sabia que estava mais no mundo.
Ela  nos chamava de meus filhinhos, a mim e ao meu irmão. Não tenho foto dela. 

-  Que pena mãe! você me deu a minha primeira máquina de costura, este foi o meu dom, e eu honrei o seu presente.
Maria de Lourdes Nunes - São Paulo"
03/02/2010"






De sua residência em São Paulo, não esquece sua gente e sua história de vida. Na minha concepção tem uma das maiores qualidades do ser humano: a gratidão. Seu orkut é um acervo de saudades, coleciona fotos do povo da sua terra com inigualável carinho. Quando passo por lá a emoção toma conta de mim, é maravilhoso poder ver o sentimento fraterno que ela revela pelo seu povo e pela sua família.

Maria de Lourdes Nunes é gente que faz parte da história dos meus antepassados, ela hoje mora em São Paulo, mas tem um lugar especial no meu coração.
Obrigada, Maria, voltarei a postar a história de Lilia do Recanto, a irmã do meu Bisavô Serafim, lá no "Raízes" pelo fato dela representar um dos troncos das minhas origens.

sábado, 11 de junho de 2011

DO CÉREBRO PARA O CORAÇÃO

Edivânia Maria B. Vilarim
(Imagem pinçada do site Itapetim. Net)



Essa moça se chama Edivânia Maria Vilarim. Ela é neta de um casal que no passado foi amigo e compadres dos meus pais.

Seu Hermínio e Dona Maria (in memoriam), nunca foram ricos, mas como pobres criararm a família com dignidade. Após o falecimento deles o infortúnio bateu à porta da família.
Já completei 40 anos que resido fora da minha cidade natal, mas não me escapa nenhum detalhe da convivência que tive, na infância e na adolescência, com meus conterrâneos.

Entre tantas lembranças: As galinhas gordas, acompanhadas de arroz de festa e pamonha que Dona Maria nos oferecia, em almoços preparados no capricho. Uma de suas filhas, a mãe da nossa estrela de hoje, tem o apelido de "Menininha". Menininha de seu Hermínio, assim a chamamos.

Menininha foi colega de curso primário de Bernadete, minha irmã mais velha.
Depois que os pais da nossa amiga faleceram, a pobreza parece ter se apoderado da família de forma impiedosa.
Desafortunadamente Menininha perdeu a visão, ficou cega. Seus filhos padecem da falta da assistência que ela nunca mais pode lhes dar.

Val, que é um dos irmão de Edivânia, nos surprende com a capacidade de guardar na memória as placas dos carros da cidade e daqueles que nos vistam. Já contabiliza na memória 5.000 placas de automóveis que passam, ou passaram, pela cidade de Itapetim, minha terra natal.

Sempre que visito minha terra, me encontro com Edivânia. A última vez que nos vimos foi no restaurante de Jonatas, no Sítio Mocambo.

Esse lugar funciona como uma espécie de turismo rural,  música ao vivo com sanfoneiros,  banho de bica, e um excelente cardápio regional: Galinha de capoeira, arroz de festa, batata doce e gerimum.

Nesse dia estava com meus filhos e minhas netas. Jonatas, o dono do restaurante, nos ofereceu uma das melhores de suas mesas, debaixo de árvores que nos protegiam do sol abrasador do nosso sertão.
Edivânia veio me  cumprimentar, e repetiu o que sempre diz quando me vê:

-A senhora é muito linda, parece aquela artista da Globo xxxxxx". Não vou dizer o nome da artista para evitar que alguém pense que Edivânia está perturbada.

 -Toda as noites, na hora da novela, eu só me lembro da senhora, quando ela aparece.

 Hoje, ao visitar o VENEZAPEDRASOLTAS , me deparo com a seguinte postagem:

 "A habilidade de saber a quantidade de letras existentes em frases completas"
Fiquei perplexa. Isso não é coisa para cérebros comuns, pensei.

Enquanto eu conversava com Edivânia, sentindo-me a sua estrela preferida, jamais pude imaginar que ela é que poderia virar uma estrela de verdade, na mídia.
Hei de descobrir como levá-la ao Faustão, ao Jô Soares, ao Luciano Huck ...

Que fenômeno é esse? Quem poderia me explicar? Quem se habilita a me ajudar? Cientificamente, onde encontrar resposta? Dom? Espiritismo? Ciência?

Ah! Edivânia, você não perde por esperar. Na próxima vez que eu estiver por aí, é você que vai fazer o Show, porque a estrela é você, e eu quero aplaudí-la.

Eu irei à sua casa, pode esperar. Beijos, menina, saiba usar o que de Deus recebeu, talvez seja uma forma que Ele encontrou de suprir um pouco as suas necessidades.

Creiam-me, a história de Edivânia - gravada por Bernardo Ferreira e publicada por Enaide Alves - é algo que vem do cérebro que eu vou guardar no meu coração.

terça-feira, 24 de maio de 2011

WALFREDO SIQUEIRA: UM GRANDE SERTANEJO


Lançamento do livro:
A Pedagoga Zita Siqueira (filha de seu Walfredo),
ladeada por Lila e Lusa, filhas de Toinho Piancó



UM GRANDE SERTANEJO

"Walfredo Paulino de Siqueira nasceu no dia 23 de maio de 1911, em São José do Egito, ribeira do Rio Pajeú, no sertão do estado.

Ele era filho de José Paulino de Siqueira (outrora Tabelião e figura popularíssima, querida por todos em São José do Egito), e de Dona Maria Rafael de Siqueira.

Seu pai, descencendente do velho Mestre de Campos da Ribeira do Moxotó - Pantaleão de Siqueira Barbosa. Sua mãe. descendente de Luís Teixeira de Deus Vasconcelos, do Rio Grande do Norte que para aqui veio em meados do século XVIII.

Foi casado com Dona Maria do Carmo Cavalcanti de Siqueira, nascida em Umburanas, hoje Itapetim, lugar cuja emancipação política foi conseguida por ele, no ano de 1953.

Terra de Padre João Leite, Simão Leite e de Antônio Piancó, este último além de amigo, foi um de seus braços fortes no desenvolvimento e no sucesso da Empresa do Algodão. Conhecia todos os itapetinenses, afinal enquanto político, Itapetim foi o seu reduto eleitoral mais forte.

Foram pais de quatorze (14) filhos, criaram onze (11) , e foram avós de (38) trinta e oito netos.

Por ter perdido sua mãe aos sete (7) anos de idade, amadureceu muito cedo - dividia responsabilidades caseiras e ajudava sua mãe Preta a cuidar dos irmãos, pois os dois mais velhos eram mulheres: Adalgisa de Siqueira Aragão e Júlia de Siqueira Leite. Ele, como bem disse Ivanildo Sampaio, "Era a luz e o porto da família, dedicou-se muito a essas duas irmãs. A primeira, foi casada co Abraão Correia de Aragão, que muitos anos foi Tabelião nesta cidade.

Lembro-me de que quando ela faleceu meu pai chorava copiosamente. Além de irmã era muito sua amiga. A segunda, casada com o Sr. Paulino Leite que era comerciante.
Por ser muito devota e uma das zeladoras de nossa matriz, sempre estava com um terço em suas mãos, rezando por todos os familiares, especialmente por meu pai. Dizia que era um irmão que qualquer irmã desejaria ter.

A infância e a adolescência de Walfredo foram recheadas de carências. Seu pai rapidamente contraiu novas núpcias e teve mais três (3) filhos: Telêmaco, Orlando e Célia, esta destacou-se como professora, poetisa e pintora.

Assim sendo, ele, como homem mais velho da segunda família assumiu o leme da casa.

Muito cedo saiu do seu lar e foi para a Cidade de Fortaleza, em busca da ajuda de um tio, chamado Paulino de Siqueira Campos, irmão do seu pai. Era dono de vários estabelecimentos comerciais na Praça do Ferreira. Mas, para sua surpresa o que buscava não encontrou. "Sem lenço e sem documento", dormiu em bancos de praça até encontrar um meio de frazer o caminho de volta.

Em aqui chegando foi trabalhar no que lhe aparecia. Trabalhou na Usina de seu Inácio Valadares e acredito que por terem percebido sua inteligência, com 17 anos foi ser Secretário da Prefeitura, no Governo do Sr. João Valadares.

O nome Paulino em nossa família é muito forte. Tivemos também um tio chamado Paulino Rafael, irmão de sua mãe. Esse muito cedo foi embora para a Cidade de Bauru, uma cidade no estado de São Paulo, e por ser ligado à cultura, era dono de um dos maiores jornais daquela cidade.

Walfredo Siqueira, por ter tendência comerciais abriu um alambique no quintal de sua residência, gerenciado por Sata Menezes, irmão do seresteiro João Pequeno, e já se achando estruturado resolveu casar aos vinte e dois (22) anos e, ela aos dezenove (19) anos. E aí vamos labutar para que pudesse dar condições dignas à sua família. E assim o fez, só parando quando a morte o arrebatou.

Cidadão de grandes virtudes foi bom filho, irmão, esposo, sogro, excelente pai e avô, amigo dos amigos. Sentia prazer em ajudar a sua gente, independente da política, não se negava quando procurado.

Sua vida pública, não foi em vão. Cumpriu sua missão aqui na terra, muito bem cumprida, não só na qualidade de cidadão, mas de Prefeito, Deputado Estadual (quatro legislaturas), Presidente da Assembléia (por duas vezes) e assumiu o Cargo de Governador (por 18 vezes), ou como dizem alguns 22 vezes.

Pensava muito em educação. Ajudou muitos dos seus conterrâneos a se formarem. Dizia que não tinha tido o privilégio de colocar um anel no dedo, mas que ia chegar o dia em que o Governo abriria as torneiras para que houvesse educação para todos independente de raça, cor e religião.

Lutou pelo direito de que todos os jovens fossem portadores do Diploma de um Curso Superior. E esse dia chegou. Gostava também de dizer que muito aprendera com a Bíblia, obra que considerava como a mais importante criação literária, filosófica e cultural da História da humanidade.

Homem de costumes simples, não escondia o fato de não ser portador de Curso Superior e dizia com certo orgulho que todo seu conhecimento foi adquirido por ele próprio, através dos livros.
Sem dúvida foi um privilegiado e até mesmo um iluminado. Por muito tempo foi destaque da família Siqueira e continua. Parece até que estava escrito nas estreloas que por aqui sua passagem seria rápida, mas as páginas do livro de sua história seriam todas escritas, não só pelos grandes feitos, mas sobretudo pela trajetória da sua vida.

Dr. Luis Wilson, em seu livri intitulado " Velhos e Grandes Sertanejos", diz: " homem inteligente, simpático e atencioso com todo mundo". Acredito que por ter essses e outros predicados, chegou, ao ápice em todos os setores onde atuou. Por ter exercido várias atividades pode ajudar quase todos da família: irmão, sobrinhos, primos, entre outros.

Foi comerciante, industrial, agropecuarista e político, tendo iniciado sua carreira pública no ano de 1937, quando implantado o esatado Novo, como interventor, a pedido de um grande amigo, o Sr. José Borja. Enquanto político, nunca abandonou sua terra, tanto é que o nosso sertanejo pensava que ele era o proprietário ou sócio do Banco do Brasil, por vê-lo sempre ali sentado a conversar com o gerente e a conseguir dinhei9ro para seus eleitores e amigos. Uma de suas maiores qualidades: A humildade. Parece até que se sentia melhor em uma cabana do que num Palácio.

Questão de raízes. Tratava o pobre e o rico com a mesma simpatia que lhe era peculiar. Diz um velho provérbio que quem quiser ser bom, morra; no entanto, não era só eu como filha que assim o via.

Obviamente, tinha seus defeitos, mas seu carisma era muito mais forte: Crianças, jovens e velhos o admiravam, acredito que por não ter arestas políticas com ninguém - correligionários e adversários eram tratados por igual."

Pinçado do livro " O Vice-Rei do Sertão - Traços Biográficos de Zita Siquiera (Filha de Walfredo Paulino de Siqueira)

LANÇAMENTO DO LIVRO E ENTREGA DAS COMENDAS



Marcando presença:



Lusa Piancó Vilar e Carlos do Rêgo Vilar (seu esposo)



Leta Piancó e Professor Heráclio Felipe Barbosa (seu esposo)



Hélder Felipe Piancó (filho deLeta e Heráclio) e Valdira (esposa)
João Antônio (filho do casal e bisneto de Antônio Piancó)


Elizabeth Piancó e Maria Rita (sua Filha)
André Felipe e sua mãe Valdíra (bisneto de Antônio Piancó)

NO FELIZ REENCONTRO:
NOSSOS AGRADECIMENTOS



Lusa Piancó Vilar com  Walfredinho (filho de seu Walfredo) e esposa



Lusa, Lila e Maria Rita (filha de Lila),
 com Carlos Siqueira (filho de seu Walfredo)


Com Zuleide Siqueira (filha de seu Walfredo) e seu esposo



Com os filhos de seu Walfredo:Maria das Graças, (e seus filhos),
Marcos Siqueira e esposa


Com Ivone de Siqueira Perazzo
 (viúva do saudoso Francisquinho Perazzo e filha de seu Walfredo)


Socorro e Carlos Siqueira (filhos de seu Walfredo)

CLIQUE AQUI E ACESSE: WALFREDO PAULINO DE SIQUEIRA

quarta-feira, 11 de maio de 2011

MORRE A VIÚVA DO DESEMBARGADOR ED-EK GONÇALVES LOPES




Regina Celi

Hoje eu abri o blog do Magno e lá estava escrito:

"10/05/2011


Morre irmã de prefeito de Tuparetama
Morreu, hoje, no Hospital Santa Joana, no Recife, Regina Celi, viúva do desembargador Ed-Ek Gonçalves e irmã do prefeito de Tuparetama, Sávio Torres (PTB). O sepultamento será hoje, às 17h, no cemitério Parque das Flores.
Escrito por Magno Martins, às 13h25 "

Sempre pensamos que há tempo para tudo. E foi deixando para amanhã, o que eu podia ter feito antes, que hoje amargo o desgosto de não ter procurado a minha amiga Celi.
Eu sequer soube que ela havia adoecido.
Parece que a vida nos reserva essas surpresas para que possamos acreditar de uma vez por todos que a nossa vida terrena é efêmera, e que partir para a nossa casa definitiva, que é a Casa do PAI, é uma verdade inexorável da qual não podemos fugir.

A minha amizade com Celi remonta aos meus tempos de juventude. Até o ano 2000 tínhamos contato quase que cotidiano. Ed-Ek seu esposo, era sobrinho do Pe. João Leite, nosso velho pároco. Ed, foi também um grande e querido amigo.


Desembargador Dr.Ed-Ek Gonçalves Lopes  (in memoriam)


Conheci seus filhos: Cecília e Eduardo, ainda crianças, lindas! Hoje, uma moça e um rapaz, mais bonitos ainda.

Cecília

Durante a campanha de Carlos, meu marido, para prefeito de Itapetim, Regina me telefonava quase todos os dias, ela me dizia que pedia a todos os amigos que residiam aqui em Recife, que votavam no interior, o voto para ele, porque tinha certeza de que Itapetim estaria em boas mãos.
Quando voltamos, após a campanha, amargando aquela derrota eleitoral, eu voltei ao trabalho e dediquei todas as minhas horas, exageradamente, somente ao trabalho.

Não tinha tempo para os amigos, para o lazer, para mais nada, era uma fuga, hoje eu sei que era.
E foi com esse comportamento que eu perdi a minha amiga Celi de vista. Passado alguns anos, eu resolvi fazer uma visita a ela. Sai de casa com meu coração aberto, pronta para lhe pedir desculpas pelas minhas faltas, mas ao chegar no seu apartamento ela não se encontrava. Pensei comigo mesma: voltarei depois.

Novamente o tempo passou e não voltei. Esta semana, eu conversara com meu marido sobre essa visita que devíamos a Regina Celi. Ficou acertado que, assim que terminasse o período de convalescença, de uma cirurgia que havia feito, nós iríamos visitá-la e pediríamos desculpas por esse afastamento absolutamente despropositado, voltaríamos a nossa velha convivência saudável.

Olha só o que a vida me aprontou! Regina se foi, nunca mais eu vou poder dizer o que tinha programado para esta visita planejada. Agora só me restam as lágrimas e a angústia de não mais poder vê-la, NUNCA MAIS!

Eu não vou poder dizer: Celi, eu gosto muito de você. Apenas vou poder transcrever este artigo de Pe. Fábio de Melo, para que sirva de lição, tanto para mim, quanto para alguém que por acaso esteja lendo essa postagem:,

E EU GOSTAVA TANTO DE VOCÊ!
(Pe. Fábio de Melo)

1.Eu acho que a gente vive tão mal, que às vezes a gente precisa perder as pessoas pra descobrir o valor que elas têm. Às vezes as pessoas precisam morrer pra gente saber a importância que elas tinham, e isso aconteceu uma vez na minha vida.

2.Estava eu na minha casa, de manhã, quando recebi um telefonema dizendo que minha irmã estava morta. Minha irmã mais nova, cheia de vida... de repente não existe mais.

3.Fico pensando assim, que às vezes, na vida, o ensinamento mais doído seja esse: quando na vida nós já não temos mais a oportunidade de fazer alguma coisa, o inferno talvez seja isso - a impossibilidade de mudar alguma situação. E quando as pessoas morrem, já não há mais o que dizer, porque mortos não podem perdoar, mortos não podem sorrir, mortos não podem amar, nem tão pouco ouvir de nós que os amamos.

4.Eu me lembro que uma semana antes de minha irmã morrer, ela havia me ligado. Foi a última vez que eu falei com ela, e eu me recordo que naquele dia eu estava apressado, com muita coisa pra fazer, e fiz questão de desligar o telefone rápido. Sabe quando você fala, mas fala na correria, porque você tem muita coisa pra fazer? E foi assim... se eu soubesse que aquela seria a última oportunidade de ver minha irmã, de olhar nos olhos dela, de falar com ela, eu certamente teria esquecido toda a pressa, porque quando a vida é assim, e você sabe que é a ultima oportunidade, você não tem pressa pra mais nada. Já não há mais o que eu fazer, e essa é a beleza da última ceia de Jesus.

5.Não há pressa, o momento é feito para celebrar, a mística da última ceia está ali, Jesus reúne aqueles que pra ele tinha um valor especial, inclusive o traidor estava lá. E eu descobrir com isso, com a morte da minha irmã, que eu não tenho o direito de esperar amanhã pra dizer que amo, pra perdoar, para abraçar, dizer que é importante que é especial.

6.O amanhã eu não sei se existe, mas o agora eu sei que existe, e às vezes, na vida, nos perdemos... Eu me lembro quantas vezes na minha vida de irmão com ela, nós passávamos uma semana sem nos falarmos, porque houve uma briga, uma confusão. A gente se dava o luxo de passar uma semana sem se falar, e hoje eu não tenho mais nem 5 minutos pra conversar com alguém que foi importante, que foi parte de mim.

7.Não espere as pessoas morrerem, irem embora, não espere o definitivo bater na sua porta. Nós não conhecemos a vida e não sabemos o que virá amanhã. Viva como se fosse o último dia da sua história. Se hoje você tivesse que realizar a sua última ceia, porque é conhecedor que hoje é o último de sua vida, certamente você não teria tempo pra pressa. Você celebraria até o fim, e gostaria de ficar ao lado de quem você ama.

8.Viver o cristianismo é fazer a dinâmica da última ceia todos os dias. Viva como se fosse o último dia da sua vida; viva como se fosse a última oportunidade de amar quem você ama, de olhar nos olhos de quem pra você é especial.

9.E depois que minha irmã morreu, um tempo bem passado, eu descobrir porque eu gostava tanto dessa música que vou cantar agora. Ela não fala de um amor que foi embora; o compositor fez para a filha que morreu em um acidente; então, fica muito mais especial cantá-la e descobrir o cristianismo que está no meio das palavras, porque é assim, quando o outro vai embora é que a gente descobre o tamanho do espaço que ele ocupava.

10.Não sei por que você se foi, Quantas saudades eu senti, E de tristezas vou viver, E aquele adeus não pude dar...

11.Você marcou a minha vida Viveu, morreu Na minha história; Chego a ter medo do futuro E da solidão Que em minha porta bate...

12.E eu! Gostava tanto de você Gostava tanto de você...

13.Eu corro, fujo desta sombra Em sonho vejo este passado, E na parede do meu quarto Ainda está o seu retrato. Não quero ver pra não lembrar, Pensei até em me mudar... Lugar qualquer que não exista O pensamento em você...

14.E eu! Gostava tanto de você Gostava tanto de você...

15.Eu gostava tanto de você! Eu gostava tanto de você! Eu gostava tanto de você! Eu gostava tanto de você!

16.Agora o triste da música é que a gente precisa conjugar o verbo no passado, a pessoa já morreu, já não há mais o que fazer. Mas não tem nenhum sofrimento nessa vida que passe por nós sem deixar nenhum ensinamento...

17.Tem que nos ensinar, não dá pra sofrer em vão. Alguma coisa a gente tem que extrair...

18.Extraia o sofrimento e descubra o ensinamento. Se ele algum dia me tocou e me deixou algum ensinamento, eu faço questão de partilhá-lo com você agora. Depois da morte da minha irmã eu faço questão de viver a vida como se fosse o último dia.

19.Já que o passado é coisa do inferno, e a gente não está no passado, muito menos no inferno, resta a possibilidade de mudar o verbo, de trazê-lo para o presente e de cantá-lo olhando para as pessoas que são especiais. Quem sabe cantando pra ela nesse momento...

20.Se ela está ao seu lado, se você tem algum amigo que mereça ouvir isso de você, alguém que faz diferença na sua história...

21.Ao invés de você dizer que gostava, você diz que gosta!

22.Vamos mudar o verbo! Vamos amar a vida! Vamos amar as pessoas antes que elas vão embora!

23.E eu...

24.EU GOSTO TANTO DE VOCÊ! EU GOSTO TANTO DE VOCÊ!
Aos familiares, especialmente a Cecília e Dudu, seus filhos queridos, ao amigo Pedro Torres Tunu, nossa solidariedade e nosso pesar por tão grande perda.
Que Deus receba minha amiga Celi na eternidade com muita luz! Saudades eternas!